quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pretending...


Abri os olhos e me deparei comigo mesma. Olhei o reflexo estampado no rosto cansado impresso no espelho e não reconheci aqueles olhos sem cor. De onde vieram aquelas rugas? Por que a profundidade daquelas olheiras? Onde estava a esperança que antes neles se refletia?

Perdi algum tempo naquele contemplar, mas sem encarar com firmeza aquele esquálido fantasma. Sobrevivente de 2009. Foi o que pensei. A dureza dos problemas, às vezes insanos e às vezes menos problemáticos do que de outros, me transformaram neste ser desfigurado, irreconhecível e desprezível.

Não conhecia mais as curvas do meu próprio rosto e desenhei na memória o sorriso que antes encantava e iluminava o meu ser. Não era eu a mesma de janeiro passado. Não era meu semblante de alguém que queria viver.

Reli os textos pra ver se me lembrava de mim. Me investi em uma pesquisa externa pra descobrir onde meu verdadeiro "eu" havia desaparecido. Sem respostas, me entreguei ao cansaço da perda própria e me esqueci, enterrada no abismo da superficialidade mal-resolvida.

Não quis - como ainda não quero - ir atrás de mim. Não tenho forças para sair do escuro e deixar que a luz me veja. A minha cama armei no profundo abismo, me escondendo de mim e de você.

Estampei um sorriso amarelo, apertei as amarras da máscara mentirosa e chamei de "eu". Apresentei a versão mais vulgar e insana de mim. Deixei que pensassem que meu nome era grandioso e competente. Deixei que minha reputação se atrelasse a um impostor interno, maquiavélico, criado pelo meu desgosto.

E assim, en passant, todos se orgulhavam de quem me fiz. Todos me aceitavam com louvores. Todos me olhavam com admiração. Todos contavam comigo para garantir seu sucesso. Todos menos eu. A única que, de fato, conhecia as agruras e podridões que haviam transformado e deformado minha face, frente à orgia de mentiras em que havia sucumbido.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Livro de cabeceira

Se minha vida fosse parar nas págins de um livro, que enredo ela tomaria? Seria descrita com a infâmia da realidade ou seria suavizada com as palavras poéticas e as construções eufêmicas da literatura?
Se eu fosse contada como uma heroína de romance, que lástimas rodeariam meu personagem ambientado num cenário sócio-cultural do século 21? O meu enredo iria se diferir em muito das atuais historinhas "água-com-açúcar" que preenchem as estantes das livrarias? Ou seria eu mais uma jornalista pseudo-feminista, mas que ainda sonha com um príncipe encatado montado num cavalo branco, como todas as demais que encontraram-se nada mais nada menos do que com os sapos da lagoa e que acabaram por perdê-los para chapeuzinhos vermelhos travestidas sob pele de lobo (conseguiram acompanhar o raciocínio)?
Seria uma aventura no meio da selva urbana ou a derrocada de uma viagem para fugir do cotidiano?
Em quantas páginas poderiam caber todos os pensamentos charmosos que eu, a mocinha, desfilaria frente aos meus leitores? Seriam minhas filosofias transformadas em máximas e adotadas como ditos populares? Que influência minhas aventuras teriam na vida dos que as acompanhassem?
Se minha história se tornasse palavras ao invés de imagens, se dependesse somente da imaginação do público para existir, se a descrição causasse sensações diferentes, ela chegaria a um best-seller? Causaria o frisson da massa à procura do próximo exemplar? Se tornaria um filme?
Se a vida adentrasse à fantasia e ficasse registrada pela eternidade com as matizes que a inspiração me permitisse imprimi-la, seria você meu leitor?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cracking a book


Não teve jeito. Não resisti e entrei na livraria. Adoro o cheiro de livros - novos e velhos, apesar dos últimos me fazerem espirrar. Me vi rodeada por novos e velhos autores. Alguns que eu admiro por leitura; outros, por história sobre sua leitura. Mas livros, conhecimento, informação, estilos, trejeitos, estilos, capas, cores, formas e tamanhos, comunicação.

Andei pelos corredores, olhando cada prateleira e título. Encontrei os internacionais, em francês, espanhol e português. Sorri quando me deparei com livros conhecidos e desejados, John Grisham, Dante Alighieri, Jane Austen, Charlotte Brontë....tanta história, tantas vidas que influenciaram gerações e até hoje ainda são reconhecidos. O que eles viveram teve reflexo direto em seus estilos e narrativas. Os personagens, as sagas, os sonhos, as respostas.

Jane Austen, em especial, tem sido minha obsessão há algum tempo. Achei um blog com um texto sobre homens que lêem Jane Austen - seria bom de mais para ser verdade? Não. Era verdade. Não apenas leram, como comentaram. A conclusão? "Se quer entender as mulheres, leia Austen". Brilhante conclusão, não? Homens normalmente não são fãs da literatura, mas ser fã de Jane Austen é um sonho de consumo que eu ainda não consegui encontrar! hahaha

De qualquer forma, senti que está na hora de provocar algumas mudanças em favor da minha paixão, que são os livros. Quero trabalhar com eles e no meio deles. Quero entendê-los e o seu processo. Quero voltar a escrever coisas que não sejam apenas informativas e jornalísticas. Pensei em todas as minhas heroínas e todas, sem exceção, são amantes dos livros. Bela (a da Fera), ganha uma biblioteca de presente; Elizabeth Bennet lê enquanto caminha; Kathleen Kelly é dona de uma livraria...se elas podem, eu também posso.

Hora de mudar, de virar a página, de reescrever essa parte da história. Uma nova faculdade? uma pós? Um curso de verão? Não sei. Mas a mudança está para vir e será revestida de processo criativo, de "estorias" e de conquistas sobre dragões e príncipes encantados. Quem sabe, este será um final feliz!

(Indico os blogs Jane Austen em Português - http://www.janeausten.com.br/; e The Jane Auten's World - http://janeaustensworld.wordpress.com/)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Horizonte

Todo dia 31 de dezembro é a mesma coisa: hora de fazer a lista do que fizemos nos últimos 364 dias e planejar e sonhar com o que queremos para o novo calendário. Já tentei, mas não me lembro do quê eu tinha postado na minha lista pessoal de desejos de ano novo.

Os dias estão passando tão rápido, as estações estão mudando com tanta pressa! É gente que entra e sai da sua vida com uma facilidade e os poucos que ficam para ajudar a montar sua história também estão andando na velocidade da própria vida.

Me peguei hoje rodeada de afazeres, mas sem ver sentido para tal. Cheia de assuntos e pautas e reclames e histórias, mas sem razão para analisá-los.

O que eu almejo conseguir este ano? A única resposta que me vem é "sobreviver". Não tenho outras declarações, paixões ou ânsias. Só sobreviver. Profissionalmente, espiritualmente, fisicamente.

Os arremates, os detalhes, os "a mais", serão misericórdia, bônus e suado reconhecimento. Não aspiro a grandeza. Neste ano só me resta sobreviver e esta façanha, por si só, me resultará em um futuro de possibilidades. Depois que a página virar, no talvez do amanhã, eu consiga respirar e desejar ser mais. Reter mais.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Resgate

Acordo com o som do despertador martelando no mais profundo do meu sono. "Péin!Péin!Péin!", ele apita fustigante. Isso quer dizer que são 6am e eu deveria levantar. O dia vai ser longo e cheio de problemas. Viro a cabeça, tateando o celular. Abro um olho, tentando apertar o botão que faz o despertador voltar a chamar em 10 minutos.
6h10.
6h20.
6h30.
6h40. Pronto, não dá mais pra adiar. O jeito é desligar, finalmente, o alarme e levantar da cama. Sento, espreguiço e me encolho do frio. Como mágica, o switch liga no meu cérebro e começo a me movimentar: escolhe roupa, toma banho, escova os dentes, lava o rosto, creme no cabelo, na cara, no corpo. Perfume, desodorante. Brinco de prata, anel no dedo anelar, maquiagem - espeto o olho com o rímel -, veste roupa...a blusa não ficou boa, troca de blusa. Casaco, cachecol, meia e bota. Celulares dentro da bolsa e voilá! Estou pronta pra partir. Já na porta, me volto e pego o livro em cima da cama. Não dá pra enfrentar a lata de sardinha do metrô sem algo para distrair.
Desço as escadas. Toc, toc, toc. Subo de novo: esqueci os óculos. Confere se o cartão do metrô está na carteira. Está. Esquento o chá: mate que é pra pôr um pouco de cafeína no organismo. Droga, 7h40, demorei demais na maquiagem.
Pego a chave em cima da mesa, entro no carro, ligo o aquecedor. A batida soul no som anima as primeiras horas do dia. Canto junto. "E todo mundo diga Sou - Sou! e todo mundo diga Dou - Dou! E todo mundo diga Vou -Vou! Pelo Meu poder"....melhor ouvir as notícias, até chegar ao metrô. Propaganda, propaganda, propaganda. Pra uma rádio que "só toca notícia", essa tem propaganda demais!
Não há mais tempo. Estaciono na terra, corro pra estação, lá vem o trem! Desço as escadas correndo, a porta se abre, vomita as pessoas. Nem assim sobra espaço pra pôr o pé. Um "com licença" e empurro a sra parada na porta. Foi mal, mas preciso pegar este trem. O espaço pra abrir o livro está apertado, mas não quero prestar atenção nas poucas conversas alheias.
Uma luta entre anjos e demônios prende minha atenção até que chego ao meu destino final. A porta se abre e vomita mais um tanto de pessoas. Subo as escadas lendo, atravesso a estação lendo, subo novo lance de escadas e alcanço o Setor Comercial Sul. Lendo. Agora não dá mais e o trânsito me exige atenção. Fecho a página e acelero o passo. Tanto esforço pra chegar mais cedo e o máximo que consigo é sentar em minha cadeira às 8h20.
Faço boletim, clipping, termino o capítulo de um livro que fiquei responsável por escrever. Saio 40 minutos para pagar contas e engolir um macarrão. Pelo menos, a cia de uma amiga querida alivia o estresse. Volto, sento, escrevo cinco textos. Reunião com o chefe, despacho, corrijo, anoto. Volto pro computador pra cumprir as pendências. Conversa adorável com um querido de internet. O chefe entra na sala, bonachão, fanfarrão e chama para criar um novo relatório.
20h e ainda estamos trabalhando os textos, corrigindo o site, postergando a vida. Ligo pra mamãe: "vou me atrasar. Busca o carro no metrô pra mim? Vou de carona".
20h40 vou ao aniversário de uma amiga. Os amigos estão lá desde às 19h30. Me desculpo, me ajeito, brinco, rio, peço pizza, dou beijinho no amiguinho do lado. Meu carona chega. Pago a conta, cochilo enquanto espero, me despeço e entro no carro. Pelo menos a lata de sardinha do metrô não é meu meio de transporte nesta noite.
Chegamos ao portão do condomínio. Agradeço a carona, desço, toco o interfone, o portão abre e, de cima de um salto de 5 cms, caminho até em casa. São 23h30. Assisto ao final do filme com a mamãe, fugindo do frio. Cochilo. Subo pro quarto, escovo os dentes, arrumo o despertador, pego o livro e deito com o abajour ligado. Mais lutas entre anjos e demônios. O sono chega, apago a luz, derrubo o livro e durmo, sem sonho.
Acordo com o som do despertador martelando no mais profundo do meu sono. "Péin!Péin!Péin!", ele apita fustigante. Isso quer dizer que são 6am e eu deveria levantar.....


(acompanhe o video: Banda Resgate - 5:50 http://www.youtube.com/watch?v=dF9Ilc8-ZB4)

"Abro os olhos sob o mesmo teto todo dia
Tudo outra vez
Acordo, um tapa no relógio a mente tá vazia
São dez pras seis
Hoje a morte do meu ego tá fazendo aniversário
Será que eu vou chegar
Chegar ao fim de mais um calendário?
Eu não sei
Eu não sei
Eu não sei
É tudo sempre igual
Disseram que o Teu amor é novo a cada dia
Eu pensei
Quero ouvir a Tua voz falar o que eu queria
São dez pra seis
Se é pra Te seguir e então matar aquela velha sede
Se é pra Te servir e nunca mais cair na mesma rede
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Se é pra Te seguir e então matar aquela velha sede
Se é pra Te servir e nunca mais cair na mesma rede
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Te seguir"
(Banda Resgate)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Senzala

A vida não é como um filme. O final feliz pode ser bem diferente do enredo imaginado. O dia hoje foi uma comprovação disso. Internamente, duelei por horas comigo mesma.

A descoberta do mau feito foi um lampejo de luz. Vi o que não queria enxergar. E por anos. Briguei até que as lágrimas romperam. Estou moída, quebrada, como se tivesse tomado uma surra, como se tivesse terminado namoro, como se tivesse descoberto uma traição. 

O pesar é tamanho! E não há a quem culpar a não ser a mim mesma. Virei o switch, mudei para 110V. De pilha alcalina, passei a bateria viciada. E não sei o que fazer. O socorro veio do lugar mais improvável (os prováveis estavam por demais ocupados com seus próprios interesses e mágoas).

Palavras sábias de quem se esperava imaturidade. Compaixão de quem se esperava desprezo. Atenção de quem se esperava descaso. Apoio de quem não se esperava nada.

A auto-reflexão levou a descobertas amargas. Mas o amargor foi adocicado pela presença do inesperado.

Um monte de blablabla que não vai trazer nenhuma solução.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Galhos Secos

Acho interessante a descrição do blog Em Jornada (http://emjornada.blogspot.com), de minha sócia, amiga e também jornalista Sarah Barros. Ela diz: "Diário das alegrias e tristezas no caminho que leva ao Deus Vivo e Verdadeiro". Nos últimos dias...não, meses...talvez anos, eu me descobri como expectadora do que eu chamava de "vida cristã". Por muito tempo as atividades haviam consumido boa parte de minha atuação "na obra de Deus", mas minha intimidade com Ele não passava de um riacho raso e quase seco.

Então, quando toda a confusão se instalou e quase me afasto por completo da igreja e de tudo o que eu acreditava ser o referencial de Deus para a sociedade, me vi cada vez mais distante do que eu acreditava ser o verdadeiro cristianismo. 

Ser salva, para mim, era ir à igreja, fazer algumas obras sociais e me desgastar, o quanto pudesse, para "trabalhar na igreja", para atender às demandas eclesiásticas, para cumprir meu papel de cristã.

Com perplexidade, resolvi olhar para mim e tentar encontrar aquela menina que se dedicou tanto a Deus e que se sentia próxima dEle, de qualquer forma. Não encontrei. Ao contrário, vi alguém que desconhece a Deus, que tem duas almas (o famigerado ânimo dobre de que fala a Bíblia) tentando buscar uma santidade hipócrita que não existe sequer para quem olha de fora.

Eu vi os meus pés e mão trabalhando sozinhos. Apoiados em suas próprias forças. E me descobri independente de Deus. Nos meus dias, a Bíblia não passava de um livro de cabeceira; a oração era um pedido de socorro que era para ser utilizado em momentos de desespero; e Deus era o meu faz-tudo porque, afinal, Ele é fiel, apesar de eu não ser.

Nessa trajetória, o mais difícil é reconhecer que se perdeu há muito no caminho e sequer sabe para que direção ir. O mais difícil é tentar manter a aparência que as pessoas pensam que você tem e equilibrar a máscara, até que o seu espírito, comprimido entre suas duas almas, chore baixinho, mas te fazendo escutar.

Nesta Jornada, como escreve minha amiga Sarah, é "custoso" reconhecer que você não é nada. Tantos aplausos, durante toda a vida, te fazem crer que você é suficientemente grande para resistir sozinho. Mas não. Quando deixamos a máscara cair ao chão e se partir e colocamos firmemente em nosso coração o desejo de conhecer a Deus pelo que Ele é e não pelo que Ele pode dar, só nos restam as lágrimas de arrependimento, remorso e dor. 

Analisando meu vazio, apesar dos meus 28 anos de cristã, descobri que o que Deus pode dar Ele o faz porque não deixa de nos abençoar mesmo se estamos longe. Mas Ele está ali, esperando, pacientemente, até que retomemos nosso caminho de volta para Ele. Porque, eu descobri, posso ter tudo o que sonhei, mas nada tem sentido se a presença de Deus não estiver comigo.

No caminho que leva ao Deus Vivo e Verdadeiro, estou descobrindo minha nova metamorfose. Uma transformação que achei que jamais precisaria passar: a de velho homem para a nova criatura. Estou aqui, Em Jornada, dia a dia retomando os passos que vão me levar ao caminho para a presença de Deus. Porque o restante Ele já deu e agora me espera pra buscar o que realmente importa: Ele.

Casting Crowns
The Altar And The Door lyrics
Songwriters: Hall, Mark

Careless, I am reckless
I’m a wrong-way-travelin’-slowly-unraveling shell of a man
Burnt out, I’m so numb now
That the fire’s just an ember way down in the corner of my cold, cold heart

Lord, this time I’ll make it right, here at the altar I lay my life
Your kingdom come but my will was done, my heart is broken as I...

Cry, like so many times before
But my eyes are dry before I leave the floor, oh Lord
I try but this time, Jesus, how can I be sure I will not lose my follow through
Between the altar and the door

Here at the altar, oh my world so black and white
How could I ever falter
What You’ve shown me to be right

I’m trying so hard to stop trying so hard
Just let You be who You are
Lord, who You are in me
Jesus, I’m trying so hard to stop trying so hard
Just let You be who You are
Lord, who You are in me

video

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fade Slow

Tenho lido tanta coisa, ultimamente. Visto tanta coisa; ido a tantos lugares, que não dá tempo de a cabeça processar tudo. Às vezes, estou andando pela rua e um parágrafo ou dois de coisas interessantes e formam solitários na minha mente, para depois se perder junto com o som da buzina que me acorda para a vida real.

São crianças, casais apaixonados, filmes, livros, motivos para isso ou aquilo que me fazem criar quando a criação não toma vida, não preenche o papel ou as linhas em branco da tela do computador.

Meu cérebro trabalha mais rápido do que minhas mãos, mas a memória não acompanha seu próprio ritmo. E é por isso que aqui estão, textos passados, antigos, sem muita profundidade, sem muita análise. É por isso que aqui reúno o melhor da inspiração momentânea, frases soltas e de um colorido desbotante. 

E assim, defendo, meu melhor texto ficou perdido para sempre no abismo profundo do querer-ser, mas que não passou de um sonho.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Passado passado a limpo

Não te contei? Comprei uma caderneta. Sim, mais uma. Tenho outras duas ou três começadas a usar. Mas esta é diferente. Com pautas amareladas e capa de couro, ela é ideal para um journal ou um Diário de Bordo.

Sou adepta da literatura, da caneta e do texto escrito à mão. Adoro receber cartas pelo correio normal, com selos, envelopes e uma caligrafia que, às vezes, é difícil até de decifrar.

Mas para quê uma caderneta se eu já possuo um blog, um twitter, um orkut, 3 emails ativos, um facebook e um myspace?

O diário é minha terapia, como este blog já foi. Manter a sanidade mental, hoje, é algo difícil de ser feito. Tantos ruídos e o mundo girando numa velocidade alucinante ao seu redor.

No papel eu descubro a mim mesma, me reitero, reinvento, me explico. Ali, eu escrevo para mim e Deus, enquanto no espaço cibernético, escrevo para vocês. Coisas que ficarão para minha posteridade e, quem sabe, futuramente, para um livro.

Mas enfim, concluo, que não importa qual o meio utilizado para desabafar. No final, percebo que a vida dá voltas e acaba parando no mesmo lugar. (Certo, Tex?)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dead end

Velha conhecida, essa frustração do dia a dia me leva a pensar que estou sempre no caminho errado. Como pode ser?

Não foram planos que me trouxeram até aqui, mas tudo simplesmente aconteceu. E se não havia expectativas, porque, então, a decepção? A vírgula ainda não é um problema, mas sinto que a trajetória está se dirigindo para lá .

Pés no chão, nenhum deslumbramento. Viagens, lugares diferentes, comidas exóticas, belas paisagens. Não preciso suportar tanta perturbação para obter essas coisas. Já me provei antes que eu posso fazer diferente, mudar conceitos, surpreender a mim mesma.

O saldo? Win-win or lose-lose. No final do ano teremos a resposta. Ou eu ganho ou eles ganham. E se eles ganharem, eu estou fora. Condição sine qua non? Não necessariamente. Não é uma promessa, mas um desafio. Não sou boa em testes, costumo me negligenciar para alcançar a expectativa alheia.

Não dessa vez. Os músculos não vão se retesar ao ponto de me imobilizarem. Não dessa vez. Antes que o precipício se abra, estou pulando fora da fenda. Ótima oportunidade? Sim, com certeza. Mas outras virão, até que, enfim, pareça ser o caminho certo para ser trilhado.

(Fundo musical: http://virb.com/brianbeyke)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

On my way...

Para não contradizer a opinião popular, cá estou eu, em plena meia-noite, rodeada por malas, roupas, documentos e outras coisitas que ainda precisam ser "encaixadas" nas malas. Durante toda a semana, eu pensei quais roupas deveriam ser retiradas do guarda-roupa e incluídas no figurino que vai me acompanhar para mais uma viagem de trabalho.

Apesar de todos os planejamentos, listas e expectativa, não consegui vencer a minha postura previsível e, como já esperavam que eu fizesse, deixei a mala para o último momento. Mas, me pergunto, de que adiantaria arrumar a mala no início da semana se os detalhes ainda não estavam preparados?

Minhas malas são como a vida que tenho levado. Sempre parece que falta algo, uma vírgula, para que o grande texto final seja, enfim, escrito. Mas não é sem ansiedade e cansaço que isto é feito. Não é sem correria e planos que posso montar meu repertório. 

Por isso, me sento e olho para a tela do computador. E suspiro e penso no que tenho a fazer, mas as palavras coesas só me veem quando tudo é silêncio ao meu redor. Depois que todas as horas e prazos se encerram, quando é hora de ir para casa, aí, neste momento entre a pressão total e a perda de seu sentido, é que a mágica acontece.

O texto flui, a música ressoa, as imagens brilham, os passos são dados e as malas fechadas e afiveladas. Meu futuro é uma caixa de surpresas equilibrada numa corda bamba. Deus a mantém segura sobre o fio e retira de lá os mais maravilhosos destinos, que repousam serena e seguramente no lado de cá do picadeiro. E agora, quando o silêncio se instalou nos meus aposentos, posso me dedicar a organizar a bagagem que, como um presente ao meu esforço, me acompanharão em mais uma viagem de trabalho....para Paris!   

sábado, 2 de maio de 2009

Bonança

Às vezes tenho medo do que estou me tornando. Não que eu não ame o que faço, mas muito do que eu amo está sendo subjugado à necessidade premente do relógio e do dia a dia.

Eu vejo as pessoas falarem sobre mim, se referirem ao que sou com certo orgulho e admiração. E tento esconder meu embaraço por não sentir e por saber que não sou a metade do que os outros acham que veem que eu sou.

Eu me dirijo ao espelho e encontro olheiras que não somem, kilos que se acumulam e esperança que não se renova. Precisando urgentemente de um banho de mim. De olhar para os meus passos, os meus sonhos e a minha fé e revolver o entulho, tirar o lixo, limpar as bordas. Retocar, não a maquiagem, mas a veracidade que os meus olhos costumavam imprimir.

E eu fecho os meus olhos e dobro os meus joelhos. E deixo que as lágrimas corram pelo meu rosto. E espero.
Antes de dizer o primeiro vocativo, antes de me dirigir ao Todo Poderoso, eu ouço o meu silêncio e me descubro ainda mais necessitada da presença de Deus.

E devagar e gentilmente, Ele se volta pra mim e me deixa achá-lO. E é aí que eu redescubro meu sorriso, meu motivo de viver e de continuar fazendo o que faço com a mesma motivação e esmero: porque TUDO foi feito por Ele e para Ele. E a Ele eu devolvo, em gratidão.

sábado, 25 de abril de 2009

Saudade

"Antes quando eu tinha saudade dele, eu ia lá, na chácara, ou em casa e o encontrava. Agora, eu vou aos seus cantinhos e não o encontro mais. Isso é o que mais me aperta o coração"....

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CREPÚSCULO

Vovô Kazuó morreu no dia 22 de abril, poucas horas depois que postei o texto sobre ele. Agora, deixo a perfeição das letras composta por minha irmã, Cinthia. A realidade em poesia.
Obrigada a todos os amigos que ligaram, mandaram mensagem e que estiveram conosco nesses dias difíceis.
Lenir.
Crepúsculo
"Nasce o Sol e não dura mais que um dia
Depois da luz, se segue a noite escura
Em tristes sombras morre a formosura,
Em profundas tristezas, a alegria"

Rápido demais, se põe o sol no horizonte, deixando nada mais que escuridão.
Ele nem viu o sol nascer.
Assim vai a vida solta, ninguém pode prendê-la.
Enclausurada numa semente, cai na terra e germina.
Dali seus galhos se extendem para ganhar flores, produzir frutos, se tudo der certo, gerar novas sementes.
E hoje ficamos todos ali, a grande plantação do humilde agricultor. O homem simples.
Nunca teve a arrogância de tentar produzir filosofias de vida, grandes ensinamentos. Era um homem da natureza e, como ela, ensina sua lição nos seus passos, despretencioso.
“As pessoas falam que 50, 70 anos é pouco, fia, mas pra quem vive isso é chão dimais! Óia, eu nem lembro mais direito da minha infância!...”
Mas as mil histórias da infância não saem da ponta da língua. Cada terra, cada plantação, o nome de cada gente que tropeçou em suas raízes, que pisou na sua terra.

"Porém se acaba a luz, porque nascia?
Se é tão formosa a luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim de fia?"

É que agente não aprende a ser feliz, agente simplesmente fica. Vôvô fazia isso, por que era feliz, porque vivia, não porque quisesse ensinar alguém, porque quisesse mudar a vida de ninguém. E ninguém mudava o curso da dele.
Ô tava, ô num tava.
“Se eu miorá, nois vamo chupá quelas laranja que eu plantei. Plantei de todas. Daqui 3 anos vai ter laranja demais.”
Termina uma vida sem arrependimentos, leva a leveza nos ossos. Sucesso é um pimentão verdinho, um pepino bem reto e graúdo. Sucesso teve muitos! Muito mais que a gente, besta, vai ter, tentando salvar o mundo.
"Mas no Sol e na luz falte a firmeza
E na formosura não se dê constância
E na alegria sinta-se a tristeza"
Fica só a saudade. Saudade boa, de algo que foi até o fim. Sem olhares pra trás, sem ditos por não ditos. Saudade doída, daquelas que não dá pra matar.
O bisneto chorando baixinho, de saber que não pode mais ver o vovô. A voz firme, aprendida com o velho, que com ele nem era tão firme assim.
Ele imóvel nem mesmo era ele, quem nem dormindo ficava quieto.
Fica ele de volta à terra que tanto amou.
E comigo só minha covardia, que não suportei vê-lo piorar.
A vida se foi, leve como ele a levou. Simples como é a vida.
O sol se pôs, rápido demais. Sempre mais do que a gente queria.
Ficamos, sós, na escuridão.Rápido como o dia,a vida termina.
"Comece o mundo enfim pela ignorância
Pois tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância"
Um beijo e um adeus, pro meu vôvô Kazuó". Cinthia B. Camimura

terça-feira, 21 de abril de 2009

Supressão

Das minhas lembranças de infância, não são muitas as que estão registradas na casa dos meus avôs paternos, em Anápolis. Foram poucos os domingos que ficamos por ali durante toda a minha vida. O suficiente para registrar que almoço na casa da vovó tinha que ter macarronada, salada de maionese e frango ao molho. E um refrigerante que meu avô fazia buscar ou que ele mesmo trazia da venda.

Meu avô é o japonês responsável pela manutenção de nosso sobrenome exótico - Camimura. Ele mesmo, apesar de ter nome brasileiro, só é conhecido pelo "Kasuó" oriental. Aliás, seus irmãos se chamam Borgue, kasutó, Kasumi e o mais novo, Ricardo! Vai entender....

Vovô Kasuó é um japonês magro, trabalhador, obstinado e teimoso. Não conheço muitos projetos que tenha conseguido concluir, incoerentemente, mas ele sempre começa de novo e de novo e de novo. Como em todos os lugares onde ele morou, em sua casa sempre tem uma quitanda, um mercadinho, uma vendinha. No quintal, ele planta morangos, couve, alface e qualquer outra coisa que tenha espaço. Ele já criou galinhas, porcos, gatos e cachorros. Aliás, os bichos adoram o meu avô, bem como todas as pessoas que o conhecem.

Ele tem um jeito engraçado de falar e conta histórias de antigamente com uma memória surpreendente. Mas, como todo bom japonês, é um homem bravo, mas que acabou amaciando com os netos, como todo bom avô.

Meus avós são primos e, apesar deles não contarem os detalhes desse romance, sabe-se que eles foram sempre apaixonados. Minha avó, Maria, do lado português da família, teve oito filhos. Meu pai é o primogênito e, por isso, é tratado com todo o respeito e regalias que a tradição japonesa prega. Eu sou a primogênita do primogênito e, de certa forma, sinto como se admiração que eles têm pelo meu pai caísse sobre mim como uma espécie de herança.

Meu pai também é um homem sério e quando precisa puxar a orelha dos meus avós, ele sempre é chamado. Me lembro perfeitamente de nós rirmos do jeito do meu pai dizer "melhor professor que eu tive foi o pai", mas ver que era verdade.

Meu avô sempre teve um olhar decidido. Ele sabia onde queria ir e sabia o que queria fazer. Ou parecia que sabia. Não tinha medo de trabalho e suas mãos, unhas - roupas, cabelo.... - sempre estavam sujas de terra. E eu admirava o vovô que, mesmo não fazendo exatamente o que era certo, fazia o que queria.

Agora, da porta do quarto de hospital, eu o vejo sentado na cama. Soro na veia, oxigênio no nariz. Meus tios estão sentados ao redor, esperando que ele diga qualquer coisa. E ele chora. Chora porque quer ir pra casa, porque não quer ficar "suzinho", porque não quer mais ficar parado, como não é de seu feitio.

Meu pai está ao seu lado e com amargura passa óleo em suas costas para aliviar o mal estar por ficar tanto tempo deitado.  Nos últimos dias, tudo o que ele tem feito é mandar chamar meu pai para tirá-lo dali, mas papai sabe que não pode, que não dá. Me assusto com o quanto o rosto de vovô está inchado. E meu pai passa as mãos pelos cabelos de seu pai e ora, pedindo a Deus por conforto.

E eu vejo os olhos do vovô Kasuó. Não são mais decididos, mas estão perdidos, demonstrando desconsolo. E me aperta o coração ver o que o câncer fez. O homem forte, lutador, está prostrado, vencido, sem capacidade sequer para tomar as próprias decisões sobre seu corpo.

Ele geme e nós trememos. E o peso cai sobre o quarto. Porque todos nós sabemos que nenhum de nós pode tomar a decisão sobre qualquer dos próximos momentos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Bate o sino

Passei o final de semana dividida entre a oportunidade de dias livres e o compromisso de terminar uma revista a tempo, como combinado. Me rendi à obrigação. Por que? Porque empenhei minha palavra e porque é minha responsabilidade.
Trabalhei, digamos, umas cinco horas durante todo o final de semana e feriado. Não é muito, se forem consideradas todas as 72 horas que esses dias tiveram. Mas isso não importa. Porque meu nível de concentração demorou para subir e isso significa que fiquei plantada no escritório muito mais do que isso, desperdiçando minhas horas de ócio com serviço que só deveria ser feito durante a semana normal de trabalho.
Reconheço que ninguém merece trabalhar nesses dias e, sequer me sinto satisfeita por isso. Mas....a woman has gonna do, what a woman has gonna do. Que diferença faz? Não havia nada de mais interessante para ser feito com aquelas horas, de qualquer forma. Ninguém podia ir ao cinema, meu avô estava internado e o clima em casa não está dos melhores. Eu ia acabar gastando todo o restante do dia na frente da TV, fazendo nada.
A menos, é claro, que tivesse de responder à cobranças: Por que não ligou? Por que não veio atrás? Por que não escreveu? por que não atualizou? Por que não montou? Por que não viveu?!?
Danem-se as cobranças. Elas não me ajudam, não resolvem meus problemas, não melhoram meu dia, não aprofundam meus relacionamentos. Pelo contrário. Ninguém veio saber o porquê dos meus olhos lacrimejantes e ninguém se ofereceu para escrever um único parágrafo da minha matéria. Então, que te interessa?
De cobranças bastam as que eu mesma me faço e as que, por obrigação, tenho de responder ao meu chefe. Se outros não pagam meu salário - e meu tempo - também não me cobrem o que quer que eu esteja fazendo com ele....("Já foi apedrejada hoje?" -"Só pela minha consciência")

sábado, 28 de março de 2009

Cada um com seu cotovelo

Assim: Lutar contra ansiedade é uma tarefa diária. Diária? Melhor sermos honestos: é tarefa para cada hora do dia. Tem dias que não dá pra esperar e o jeito é ceder à tentação e encarar a barra de chocolate pra suportar a falta de ar e a agonia que a expectativa não-cumprida causa.

Minha ansiedade tem sido controlada no formato "montanha-russa": hoje eu consigo, amanhã, não. Tem dias que o simples pensar na situação é motivo para travar os músculos, doer a cabeça, transpirar e suspirar. A pupila dilata, o coração acelera e, como eu disse, falta ar aos pulmões. 

Mas o que é isso? Uma descrição de uma crise de ansiedade ou uma paixonite aguda? Não faço a menor ideia. As duas sensações, de fato, se confundem. Deixo para os entendidos da fisiologia do corpo humano explicarem. Na verdade, não me interessa.

O que me interessa é que, aparentemente, a não ser que a ansiedade se torne uma doença, não há como tratá-la. Não tem exercício que resolva, nem chocolate que a aplaque. A mim, a ansiedade é praticamente uma companheira. É por ela que eu sei quando tem algo errado acontecendo, quando devo me esforçar para me concentrar porque meus prazos estão acabando e quando devo ficar em casa pelo simples fato de que encontrar certa pessoa vai me causar mais decepção e rejeição do que prazer.

Negar a vontade de atender aos clamores da minha ansiedade, em particular, neste último caso é uma forma de proteção. É manter o meu muro erguido o suficiente para me contentar com o "não" que já possuo e garantir que o ar da possibilidade de ser indeferida sequer exista. É ter certeza de que o radical da palavra não caia e só me sobrem os adjetivos de ansiosa e mal-amada.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Vícios

Estou tentando, há pelo menos 3h, descobrir como cancelar minha conta no Twitter. Primeira explicação: twitter é um microblog em que vc diz, em 140 caracteres, o que está fazendo. As pessoas te acompanham e vc acompanha as pessoas. Sabe da vida de todo mundo e todo mundo sabe da sua.


Segunda explicação: estou tentando sair porque estou viciada em noticiar o que faço e saber da vida dos "amigos" de twitter. Nos lugares mais inesperados, nos momentos mais inoportunos, na presença de qualquer um, lá estou, puxando o celular para verificar as novidades da microvida do microblog.

Estou tentando me livrar do journal pelo simples fato que me incomoda o pensamento de que a vida está tão corrida, tão ocupada, que não temos mais tempo para sentar com pessoas reais e manter um relacionamento real, que envolve o ser integral e não apenas o que ele constrói no espaço cibernético.

Me incomoda o fato de que acompanho a vida de desconhecidos e, sem querer, me torno cúmplice de seus pensamentos, de seus desejos, de suas lamentações e de suas retwittadas, que me encaminham a novas páginas, a novas vidas e a uma multidão de informações que em nada acrescentam.

Que me interessa saber se @fulano acordou cedo/tarde, está trabalhando/não está, gostou/não gostou de qualquer coisa? Quem é, afinal, @fulano???? Por que estou permitindo que pessoas desconhecidas opinem sobre meu #medo e aceitando que tudo seja #armadilhadesatanas?

Estou cheia de tanta superficialidade.

Me peguei com saudade dos "amigos de twitter" no final de semana, mesmo estando rodeada de amigos reais, que falavam comigo! E isto, obviamente, foi noticiado no meu twitter.

Chego à conclusão que as pessoas têm prazer em se expor, em querer que os outros saibam de si, dos seus passos. Ninguém pode retaliar a invasão de privacidade, porque estão todos dispostos e disponíveis a abrir a própria.

Fui criticada, durante um almoço de família, porque, em meio à conversa, saí com "hahaha, hashtag medo!". Hein? O que isto quer dizer???? (hashtag uma palavra que pode se tornar um link e, por meio dela, conferir quem mais andou falando o mesmo que vc. no caso, #medo)

Por tudo isso, por toda a invasão e permissão, por toda a poluição no vocabulário, por todos os pensamentos e segundos perdidos na conferência da atualização do twitter, e por este post tão sem noção quanto participar da onda do momento, desisto de ser @alguém de qualquer um.#prontofalei.

P.S.: se alguém souber como se faz para cancelar a conta no twitter, por favor, me conte!
Vejam o vídeo explicativo: http://www.youtube.com/watch?v=YgAlE33lCQA

sábado, 21 de março de 2009

Lamentos

Pseudo-intelectuais abrem a porta, me convidando para entrar. Do lado de dentro, o mundo de cabeça para baixo. Drogas lícitas os distinguem de seus protegidos. Mas o que eles chamam de "trabalho", os detentos chamam de "cotidiano". 
Por trás dos sorrisos e dos copos de whisky com gelo e água de côco, mal sabem eles que os prisioneiros são os rostos conhecidos no espelho. A fumaça dos cigarros envolve toda a sala, em completo desrespeito a minha alergia.
Me acomodo no canto solitário, observando e, nitidamente, reprovando o cenário com meu olhar.
Eles riem e apontam e não compreendem meu distanciamento. 
E dentro de mim, eu descubro meus dedos apontados contra cada um deles, em julgamento. Me faço juíza do vazio interior a que se submetem. Escarneço e zombo de seus atos frívolos e de sua ansiedade declarada de preencher os minutos da noite com qualquer lixo sociológico que a realidade juvenil lhes oferece.
E olho pra mim, em minha hostilidade e bossalidade, me julgando também: superiora a todos. Maior, melhor. Intitulando o que eles chama de "festa", de "perda de tempo". egocêntrica, não me divido, não compartilho e, se alguma solução guardava para tirá-los da insensatez do desperdício dos dias, guardei em meu bolso.
Bestial. Superficia. Frívola.
A vida minha e deles. Na ânsia pela diversão, tornamo-nos, todos, palhaços de circo.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A CADA MANHÃ

QUANDO AS MINHAS FORÇAS SE ACABAM
E A MINHA ESPERANÇA NO SENHOR
PARECE NÃO RE – SIS - TIR
MINH'ALMA SE ABATE DENTRO DE MIM
MEU CORAÇÃO COMEÇA A SE LEMBRAR
DAQUILO QUE RENOVA A ESPERANÇA
AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR
NÃO TÊM FIM, GRANDE É O SEU AMOR
A CA - DA MA - NHÃ
AS MISERICÓRDIAS SE RENOVAM
A CADA MANHÃ
AS MISERICÓRDIAS SE RENOVAM
A CADA MANHÃ,
A CADA MANHÃ.
MINHA PORÇÃO É O SENHOR
A MINHA FORÇA É SUA ALEGRIA
ELE É A RAZÃO DO MEU LOUVOR
INSPIRAÇÃO DA MINHA MELODIA
ESPERO NELE A CADA NOVO DIA
MISERICÓRDIAS SE RENOVAM
A CADA MANHÃ
AS MISERICÓRDIAS SE RENOVAM
A CADA MANHÃ, A CADA MANHÃ
AS MISERICÓRDIAS SE RENOVAM
A CADA MANHÃ

Esperança viva

Há muitas decisões a serem tomadas, muitos lugares para serem conhecidos, muita vida para ser vivida para ser feito só.

"Abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer!"

E debaixo daquela roupa e daquela máscara, jazia um corpo gordo, recheado de conhecimento, de sentimentos abafados, de oportunidades perdidas, de muitos "não"s que deveriam ter sido "sim"s e muitos "sim"s que deveriam ter sido "não"s.

Mas de nada adiantou, adiantar-se para querer garantir seu lugar ao sol e, depois de três dias, encerrar o que mal havia começado por conta de decepções e desilusões desenhadas por outros na sua mente.

Explodiu em vida, cores e, pouco depois, derramou sobre si um removedor de tintas.

Olhou para os lados, para a multidão, e viu-se, mais uma vez, só na sua castela.

E não importa quantos sorrisos, ou quantas academias você se filie ou quantas taças de Chardonney você toma com suas amigas, no final do dia, você ainda volta pra casa pensando em cada detalhe, tentando descobrir onde errou, e como, por um breve momento, deixou-se pensar que era feliz e sente doer lugares tão profundos que nem sabia que existiam.

Teve por eles tanta consideração que, no final, consideração nenhuma retornou para si.

Olha o umbigo. Fixa nele o pensamento. Fita pra sempre o pequeno umbigo. E deixe que o mundo gire. Gire unicamente ao redor de ser.

Menina, que o tempo voa! Limpa as lágrimas e se desangustie. "Conforme a Sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor".

segunda-feira, 2 de março de 2009

Janela


Olha lá de longe
Os olhos que lacrimejantes te dizem adeus.
Olha para trás e sem vontade
Encara o passado que não quer mais viver
Levanta as mãos e diz "basta"!
e espera o futuro na curva da estrada tortuosa.
Solta os dedos e desfaz os nós
e se deixa sair de perto do tormento
Livra-se da sombra e caminha só
O sol que te aquece a todos queima
Fecha a porta e atravessa o destino
O que você sonhou agora é sonho de alguém
Divide a dor
Espalha a alma
Aguenta o tranco
Engole o choro
Encara a vida.
E alegra-se.
A síndrome da Scarlet passou
Jura que "nunca mais passará fome novamente"
E compra o bilhete
da liberdade
da vida
da paz.
Escolhe a dedo seu horizonte
e não permite que lhe zombem
Levanta-se, altiva, e contempla a chance
De ser feliz.
De ser.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

EU

eu sou a primeira a sair e a última a voltar.
eu sou a que destranco e tranco a porta da frente.
e quando eu volto, a alma está acabada;
o corpo esmiuçado;
mas o espírito transborda em refrigério.

eu, que sozinha me visto e ganho o mundo,
eu não dependo de mim para me bastar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Diário de bordo 2009

Já pensei que eu deveria manter um “diário de bordo” com uma periodicidade diária: desde o ano passado eu tenho viajado muito, pelo menos uma vez por mês. Meus amigos, que graças a Deus são amigos de verdade e tem toda paciência comigo, quando me ligam já perguntam se eu estou na cidade. Minha resposta é sempre acompanhada de uma risadinha, quase sem-graça. Mas é verdade: quando menos se espera, lá vou eu pegar a Estrada – ou, no caso, os ares!

Não reclamo e nem acho ruim. Eu me canso, é verdade. Mas viajar é tão bom! Conhecer lugares diferentes, ver gente diferente, ir aos locais que só vemos pela televisão, descobrir nossos próprios destinos. Tudo isso é entusiástico!

Minha última viagem, no ano passado, foi para São Paulo, em novembro. A trabalho, como sempre. Depois fui a Anápolis (GO), para passar o Natal com a família. Fiquei uma semana a mais para curtir meu irmão e meus primos. Até porque, comecei o ano viajando!
Dia 02 de janeiro me aventurei, por trajetos rodoviários, a viajar para Foz do Iguaçu. Foram 25 h de viagem, com dor na coluna e um moleque chutando meu banco e falando sem parar. Foi difícil, mas interessante. Li um livro inteiro durante o trajeto. Aliás, metalinguístico: “Viaje sozinha”. Recomendo para moças e rapazes que queiram se aventurar a mochilar por qualquer lugar do mundo!

Ao contrário do que se esperava, eu estava de férias, mas não fui a Foz a passeio. Fui aproveitar o tempo para fazer um curso de imersão em ingles. Mas você pode dizer “no Brasil?”. É. Os professores vieram do país de Gales e da Escócia/Irlanda. Então, pense. Se no Brasil já achamos interessante os diferentes sotaques imagine professores com accents diferentes, ensinando uma língua que vc não domina! Mas tudo bem, foi muito divertido.

A melhor parte do curso, que se chama “Speak for Jesus”, foram os amigos que fizemos. Gente do país todo participou do evento. Tinham pastores, aspirantes a missinários, empresários, enfermeiras, estudantes, comerciantes....de tudo um pouco. Mas, apesar da diversidade regional e profissional, parecia como se nos conhecêssemos a vida toda!

E graças a esta facilidade na convivência, tivemos um curso maravilhoso! Passeamos pelo Paraguai, fizemos mil compras, fomos às cataratas do Iguaçu – tanto do lado brasileiro quanto argentino – e ficamos deslumbrados com a beleza do lugar! Passamos calor juntos, agradecemos pela chuva juntos, fizemos picnic, rimos demais dos mil nomes que deram à Mariana (os professores não conseguiam dizer o nome dela corretamente), choramos com os videos missionários e com o filme “A walk to remember”. 

Nosso amigo-secreto não só foi divertido, como tivemos a oportunidade de nos expressarmos favoravelmente uns aos outros. Além disso, a festa de despedida foi regada a shawarma e muito H2OH!!!!

Um curso de imersão fabuloso! Não te parece? O que ganhamos com tudo isso além de um tempo bom? Os amigos que permanecem.

Estou agora, a caminho de São Paulo, onde devo ter uma reunião com um dos fundadores da entidade em que estou trabalhando. Mas sabe quem vai me hospedar? A Mariana. A mesma que os professores não conseguiam falar o nome! Daqui vou a Curitiba, trabalhar e encontrar uma amiga de um outro curso que fiz há dois anos. Depois, sigo para Porto alegre, para a terceira e última entrevista e, lá, devo encontrar meu amigo Alfred, que esteve em Foz conosco. 

Viu? As férias podem ser mais do que só tempo para descanso. As viagens de trabalho podem ser mais do que só responsabilidade. Tudo isso pode ser agregado a boas amizades. Que perduram e se ajudam, quando menos se espera! E que alegria será revê-los e...opa! Agora preciso ir, que já estão me chamando para o embarque!

Hasta la bye-bye!