sábado, 2 de maio de 2009

Bonança

Às vezes tenho medo do que estou me tornando. Não que eu não ame o que faço, mas muito do que eu amo está sendo subjugado à necessidade premente do relógio e do dia a dia.

Eu vejo as pessoas falarem sobre mim, se referirem ao que sou com certo orgulho e admiração. E tento esconder meu embaraço por não sentir e por saber que não sou a metade do que os outros acham que veem que eu sou.

Eu me dirijo ao espelho e encontro olheiras que não somem, kilos que se acumulam e esperança que não se renova. Precisando urgentemente de um banho de mim. De olhar para os meus passos, os meus sonhos e a minha fé e revolver o entulho, tirar o lixo, limpar as bordas. Retocar, não a maquiagem, mas a veracidade que os meus olhos costumavam imprimir.

E eu fecho os meus olhos e dobro os meus joelhos. E deixo que as lágrimas corram pelo meu rosto. E espero.
Antes de dizer o primeiro vocativo, antes de me dirigir ao Todo Poderoso, eu ouço o meu silêncio e me descubro ainda mais necessitada da presença de Deus.

E devagar e gentilmente, Ele se volta pra mim e me deixa achá-lO. E é aí que eu redescubro meu sorriso, meu motivo de viver e de continuar fazendo o que faço com a mesma motivação e esmero: porque TUDO foi feito por Ele e para Ele. E a Ele eu devolvo, em gratidão.

2 comentários:

 Táh disse...

Lindo texto, adorei, parabéns.
Só temos que agradecer por ter uma vida, realmente. Por mais que as vezes nós achamos que não somos pessoas boas, no fundo, sabemos que somos, e Ele sempre nos ajuda a se encontrar e se valorizar.

ricardo disse...

A solução eu já te disse. Lembra daquela propaganda de desinfetante? "Chuta o balde minha filha". Lembre-se que tudo nessa vida passa. Você tem que estar bem e viva até lá. ;-)

beijos, ricardo