quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fade Slow

Tenho lido tanta coisa, ultimamente. Visto tanta coisa; ido a tantos lugares, que não dá tempo de a cabeça processar tudo. Às vezes, estou andando pela rua e um parágrafo ou dois de coisas interessantes e formam solitários na minha mente, para depois se perder junto com o som da buzina que me acorda para a vida real.

São crianças, casais apaixonados, filmes, livros, motivos para isso ou aquilo que me fazem criar quando a criação não toma vida, não preenche o papel ou as linhas em branco da tela do computador.

Meu cérebro trabalha mais rápido do que minhas mãos, mas a memória não acompanha seu próprio ritmo. E é por isso que aqui estão, textos passados, antigos, sem muita profundidade, sem muita análise. É por isso que aqui reúno o melhor da inspiração momentânea, frases soltas e de um colorido desbotante. 

E assim, defendo, meu melhor texto ficou perdido para sempre no abismo profundo do querer-ser, mas que não passou de um sonho.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Passado passado a limpo

Não te contei? Comprei uma caderneta. Sim, mais uma. Tenho outras duas ou três começadas a usar. Mas esta é diferente. Com pautas amareladas e capa de couro, ela é ideal para um journal ou um Diário de Bordo.

Sou adepta da literatura, da caneta e do texto escrito à mão. Adoro receber cartas pelo correio normal, com selos, envelopes e uma caligrafia que, às vezes, é difícil até de decifrar.

Mas para quê uma caderneta se eu já possuo um blog, um twitter, um orkut, 3 emails ativos, um facebook e um myspace?

O diário é minha terapia, como este blog já foi. Manter a sanidade mental, hoje, é algo difícil de ser feito. Tantos ruídos e o mundo girando numa velocidade alucinante ao seu redor.

No papel eu descubro a mim mesma, me reitero, reinvento, me explico. Ali, eu escrevo para mim e Deus, enquanto no espaço cibernético, escrevo para vocês. Coisas que ficarão para minha posteridade e, quem sabe, futuramente, para um livro.

Mas enfim, concluo, que não importa qual o meio utilizado para desabafar. No final, percebo que a vida dá voltas e acaba parando no mesmo lugar. (Certo, Tex?)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dead end

Velha conhecida, essa frustração do dia a dia me leva a pensar que estou sempre no caminho errado. Como pode ser?

Não foram planos que me trouxeram até aqui, mas tudo simplesmente aconteceu. E se não havia expectativas, porque, então, a decepção? A vírgula ainda não é um problema, mas sinto que a trajetória está se dirigindo para lá .

Pés no chão, nenhum deslumbramento. Viagens, lugares diferentes, comidas exóticas, belas paisagens. Não preciso suportar tanta perturbação para obter essas coisas. Já me provei antes que eu posso fazer diferente, mudar conceitos, surpreender a mim mesma.

O saldo? Win-win or lose-lose. No final do ano teremos a resposta. Ou eu ganho ou eles ganham. E se eles ganharem, eu estou fora. Condição sine qua non? Não necessariamente. Não é uma promessa, mas um desafio. Não sou boa em testes, costumo me negligenciar para alcançar a expectativa alheia.

Não dessa vez. Os músculos não vão se retesar ao ponto de me imobilizarem. Não dessa vez. Antes que o precipício se abra, estou pulando fora da fenda. Ótima oportunidade? Sim, com certeza. Mas outras virão, até que, enfim, pareça ser o caminho certo para ser trilhado.

(Fundo musical: http://virb.com/brianbeyke)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

On my way...

Para não contradizer a opinião popular, cá estou eu, em plena meia-noite, rodeada por malas, roupas, documentos e outras coisitas que ainda precisam ser "encaixadas" nas malas. Durante toda a semana, eu pensei quais roupas deveriam ser retiradas do guarda-roupa e incluídas no figurino que vai me acompanhar para mais uma viagem de trabalho.

Apesar de todos os planejamentos, listas e expectativa, não consegui vencer a minha postura previsível e, como já esperavam que eu fizesse, deixei a mala para o último momento. Mas, me pergunto, de que adiantaria arrumar a mala no início da semana se os detalhes ainda não estavam preparados?

Minhas malas são como a vida que tenho levado. Sempre parece que falta algo, uma vírgula, para que o grande texto final seja, enfim, escrito. Mas não é sem ansiedade e cansaço que isto é feito. Não é sem correria e planos que posso montar meu repertório. 

Por isso, me sento e olho para a tela do computador. E suspiro e penso no que tenho a fazer, mas as palavras coesas só me veem quando tudo é silêncio ao meu redor. Depois que todas as horas e prazos se encerram, quando é hora de ir para casa, aí, neste momento entre a pressão total e a perda de seu sentido, é que a mágica acontece.

O texto flui, a música ressoa, as imagens brilham, os passos são dados e as malas fechadas e afiveladas. Meu futuro é uma caixa de surpresas equilibrada numa corda bamba. Deus a mantém segura sobre o fio e retira de lá os mais maravilhosos destinos, que repousam serena e seguramente no lado de cá do picadeiro. E agora, quando o silêncio se instalou nos meus aposentos, posso me dedicar a organizar a bagagem que, como um presente ao meu esforço, me acompanharão em mais uma viagem de trabalho....para Paris!   

sábado, 2 de maio de 2009

Bonança

Às vezes tenho medo do que estou me tornando. Não que eu não ame o que faço, mas muito do que eu amo está sendo subjugado à necessidade premente do relógio e do dia a dia.

Eu vejo as pessoas falarem sobre mim, se referirem ao que sou com certo orgulho e admiração. E tento esconder meu embaraço por não sentir e por saber que não sou a metade do que os outros acham que veem que eu sou.

Eu me dirijo ao espelho e encontro olheiras que não somem, kilos que se acumulam e esperança que não se renova. Precisando urgentemente de um banho de mim. De olhar para os meus passos, os meus sonhos e a minha fé e revolver o entulho, tirar o lixo, limpar as bordas. Retocar, não a maquiagem, mas a veracidade que os meus olhos costumavam imprimir.

E eu fecho os meus olhos e dobro os meus joelhos. E deixo que as lágrimas corram pelo meu rosto. E espero.
Antes de dizer o primeiro vocativo, antes de me dirigir ao Todo Poderoso, eu ouço o meu silêncio e me descubro ainda mais necessitada da presença de Deus.

E devagar e gentilmente, Ele se volta pra mim e me deixa achá-lO. E é aí que eu redescubro meu sorriso, meu motivo de viver e de continuar fazendo o que faço com a mesma motivação e esmero: porque TUDO foi feito por Ele e para Ele. E a Ele eu devolvo, em gratidão.

sábado, 25 de abril de 2009

Saudade

"Antes quando eu tinha saudade dele, eu ia lá, na chácara, ou em casa e o encontrava. Agora, eu vou aos seus cantinhos e não o encontro mais. Isso é o que mais me aperta o coração"....

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CREPÚSCULO

Vovô Kazuó morreu no dia 22 de abril, poucas horas depois que postei o texto sobre ele. Agora, deixo a perfeição das letras composta por minha irmã, Cinthia. A realidade em poesia.
Obrigada a todos os amigos que ligaram, mandaram mensagem e que estiveram conosco nesses dias difíceis.
Lenir.
Crepúsculo
"Nasce o Sol e não dura mais que um dia
Depois da luz, se segue a noite escura
Em tristes sombras morre a formosura,
Em profundas tristezas, a alegria"

Rápido demais, se põe o sol no horizonte, deixando nada mais que escuridão.
Ele nem viu o sol nascer.
Assim vai a vida solta, ninguém pode prendê-la.
Enclausurada numa semente, cai na terra e germina.
Dali seus galhos se extendem para ganhar flores, produzir frutos, se tudo der certo, gerar novas sementes.
E hoje ficamos todos ali, a grande plantação do humilde agricultor. O homem simples.
Nunca teve a arrogância de tentar produzir filosofias de vida, grandes ensinamentos. Era um homem da natureza e, como ela, ensina sua lição nos seus passos, despretencioso.
“As pessoas falam que 50, 70 anos é pouco, fia, mas pra quem vive isso é chão dimais! Óia, eu nem lembro mais direito da minha infância!...”
Mas as mil histórias da infância não saem da ponta da língua. Cada terra, cada plantação, o nome de cada gente que tropeçou em suas raízes, que pisou na sua terra.

"Porém se acaba a luz, porque nascia?
Se é tão formosa a luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim de fia?"

É que agente não aprende a ser feliz, agente simplesmente fica. Vôvô fazia isso, por que era feliz, porque vivia, não porque quisesse ensinar alguém, porque quisesse mudar a vida de ninguém. E ninguém mudava o curso da dele.
Ô tava, ô num tava.
“Se eu miorá, nois vamo chupá quelas laranja que eu plantei. Plantei de todas. Daqui 3 anos vai ter laranja demais.”
Termina uma vida sem arrependimentos, leva a leveza nos ossos. Sucesso é um pimentão verdinho, um pepino bem reto e graúdo. Sucesso teve muitos! Muito mais que a gente, besta, vai ter, tentando salvar o mundo.
"Mas no Sol e na luz falte a firmeza
E na formosura não se dê constância
E na alegria sinta-se a tristeza"
Fica só a saudade. Saudade boa, de algo que foi até o fim. Sem olhares pra trás, sem ditos por não ditos. Saudade doída, daquelas que não dá pra matar.
O bisneto chorando baixinho, de saber que não pode mais ver o vovô. A voz firme, aprendida com o velho, que com ele nem era tão firme assim.
Ele imóvel nem mesmo era ele, quem nem dormindo ficava quieto.
Fica ele de volta à terra que tanto amou.
E comigo só minha covardia, que não suportei vê-lo piorar.
A vida se foi, leve como ele a levou. Simples como é a vida.
O sol se pôs, rápido demais. Sempre mais do que a gente queria.
Ficamos, sós, na escuridão.Rápido como o dia,a vida termina.
"Comece o mundo enfim pela ignorância
Pois tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância"
Um beijo e um adeus, pro meu vôvô Kazuó". Cinthia B. Camimura