quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tagging myself

Estou precisando escrever. Pra ver se eu descubro o que ainda está encoberto dentro de mim. Precisando escrever sobre os dias e seus encantos; seus enganos e dissabores; seus planos e decepções. Precisando escrever sobre mim, meus achismos e sensações, pra ver se descubro onde foi que, obtuso, eu me escondi de mim.

Num momento em que a vida parece calma, com o exterior se movendo lentamente - e estranhamente - fora de seu padrão, é nesses dias que o desafogo me deixa pensar em mim. E me reencontrar nunca é fácil e simples. Tem dores deixadas pra trás, vontades insuperáveis, perguntas demais sem resposta.

Não é aqui, contudo, que minha auto-análise (mentém-se o hífen nesse caso???) virá. Meu descrever não é matéria pública; não é carta aberta; não é anúncio em neon. É assunto pra quatro paredes, um lápis, um caderno, uma xícara de chá, lágrimas guardadas nos cantos dos olhos e um escritor. 

Um escritor e um autor. Eu e Deus. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Perfeitamente imperfeitos

Imperfeições....que tornam tudo perfeito. Pq as minhas não são as suas e as suas não são as minhas, mas ambos as temos. Isso me faz te olhar com misericórdia e empatia, e receber de volta o mesmo. Me faz entender que não somos melhores do que o outro, mas que nossas imperfeições nos completam...



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vento de Saudade


Impetuoso, encheu a casa. Varreu os cômodos e seus incômodos. Tirou a poeira do comodismo, do lugar-comum e renovou a vontade do abraço, do sorriso e da presença.
Veio avassalador e me tirou o sossego. Bagunçou os cabelos, subiu a saia, trouxe arrepios e melancolia. Balançou os bibelôs na estante e corri pra fechar as janelas. De nada adiantou: a saudade veio cavalgando na crista do vento e se instalou no sofá da sala.
Sentiu-se visita e esperou o café. Contou de sua estrada errante, de seus caminhos longíquos e de seus passos em direção a mim. Escolheu a oportunidade certa e já chegou fazendo barulho. Me cobrou a atenção e a consideração de um parente distante. 
Não me deixou dormir com sua voz estridente. Não me deixou comer com suas queixas doloridas. Não me deixou respirar sem sufocar meu peito.
Instalou-se, confortavelmente, sem data para sair. Não pagou o aluguel, nem perguntou se poderia ficar. Simplesmente chegou, abraçada ao vento do momento, com suas roupas de cinza degradê. Se alimentou de meu sofrimento e segue contínua e crescente, até que a porta se abra e o sol penetre com o calor amável daquele que retornou.

terça-feira, 27 de março de 2012

Dia a dia

Eu conto os dias pelo meu trabalho. A cada boletim novo que escrevo, lá no topo está a data do dia e assim me oriento no calendário. Saltar um dia ou adiantar uma matéria é desarranjar minha anotação mental da posição em que estamos no mês.

Com felicidade, gravei hoje o arquivo do dia 27. Final de mês, finalmente. Isso significa salário novo saindo, o hoje passando mais rápido, o futuro chegando na velocidade da expectativa. Nem tanto, mas novos dias se aproximam.

O que me leva a pensar: não estou deitada numa cama, ociosamente, esperando o dia passar. Meu calendário continua recheado de atividades, de afazeres que parecem não ter fim. Com as preocupações normais da vida, as pressões normais da agenda, as vontades normais pelas mudanças.

Aproveitar o tempo, remi-lo, como diz a Bíblia, não é encher as horas de lazer somente. Mas é viver na plenitude: fazer o que é preciso, quando for preciso, organizando as pressões, trabalho, lazer, amigos, Saúde e tudo o mais que preenche os dias, de forma a ter a sensação de saciedade ao deitar a cabeça no travesseiro.

Tem dias que isso, simplesmente, não é possível e fico presa a uma única atividade, a um único sentimento, a um único qualquer coisa. Posso dizer que isso é desperdício? Não. Para amadurecer ideias, razões, motivos e circunstâncias também é preciso espaço e, de vez em quando, um pouco mais de dedicação. Mas não podem estagnar a vida.

Por isso, celebro o fim de mais um mês bem vivido, bem preenchido. Talvez não como eu tinha esperado e/ou planejado, mas com a bênção do pouco estresse. Celebro o andar da carruagem, a contagem dos dias que não cessam e a oportunidade de fazê-los melhor e de forma diferente, a cada dia.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Interpretando o EU numa segunda

Você abre a vida numa segunda-feira amarrotada e, de repente, percebe-se perdida de si mesma. Não conhece aquele rosto sorridente e aquela confiança elogiada.

Olha pra si e pergunta onde foram parar seus conceitos, suas defesas, suas crenças. Nada restou de quem um dia foi e que definiu seus passos até o presente?

Questiona o modo de pensar, de aceitar, de andar, de entender e de viver. Questiona as concessões, as palavras, os sentimentos e a razão. Questiona o eu, o ego e o apego. E as perguntas seguem vazias de resposta.

Não se lembra sequer quando foi que deixou de ser quem era para tornar-se o que é. Que mal havia na transformação? Que crescimento trouxe a metamorfose? Limpa o exagero do cenário geral e vê que nem tudo está perdido.

Usa a balança, a peneira e o "desamassador" do bom senso e com um longo e estralante bocejo, espreguiça, ciente de que a vida não é a mesma e que você não é a mesma, mas é preciso se adaptar até que tudo se torne normal durante o dia...

E saia logo dessa cama, que, como disse, hoje é segunda-feira!

terça-feira, 6 de março de 2012

Silêncio


Arde.
Das lembranças surge o passivo de dor não curada. Contabilidade mal feita dos dias e das expectativas. Um vislumbre da possibilidade, do projeto, do sonho e do arquétipo jogados pela janela indiscreta do sem querer.

Palavras tortas com tom dissonante, disfarçados na atenção gerada pela culpa dos verbetes rolados pela língua abaixo, sem o bloqueio ou trava do pensamento.

Quando viu, já foi. O som já saiu. As cordas vocais já tremeram. As ondas sonoras já caminharam no espaço e atingiram os ouvidos, os tímpanos e o coração.

O receptor cai morto, atingido pelo significado e significante da mensagem que, de repente, destruiu seu fôlego de vida.

Uma ansiedade a menos. Uma taquicardia a mais. Mais uma vírgula arrancada do discurso do possível. Mais um dejeto no muro das lamentações internas.

E pronto. Ferida que arde, corroi, expõe e questiona a certeza que agora é firme como gelatina.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Novíssimo Tempo


Li a carta do passado mais uma vez. Palavras doces, de um consolo não solicitado, de uma verdade mentirosa, de uma expectativa sempre frustrada. O gosto amargo das lembranças foi seguido por um sorriso falso de melancolia ultrapassada. Nem mesmo a poesia literária de suas palavras foram absorvidas. Nem mesmo o ritmo da rima, os floreios das construções e as palavras que, um dia, trouxeram lágrimas aos olhos, foram suficientes para me fazer crer.

O passado passou. E com ele, seu engodo. Os tapinhas nas costas, que sugeriam um conforto e "mão amiga" ficaram no papel.

Ouça meu grito! Fique sabendo, senhor passado, que as cores do dia me são claras, que meu sorriso é autêntico, que há verdade nos meus passos, que há alegria contagiante na minha história! Saiba que as pedras que me lançou só serviram para que eu construísse pontes e não muros; só me ajudaram a ver os verdadeiros amigos e não mais me importar com quem não se importava; só me fizeram erguer um altar de adoração genuína em favor da graça vinda dos céus. Saiba o senhor que tenho esperança renovada, lágrimas, sim, mas de gratidão.

Que o caminho que trilhei negaram suas propostas vãs de encorajamento deturpado, na qual a mentira baseava seu alento. Escute, passado, que estão derrubadas suas tentativas de me fazer voltar à dor! Fui liberta, restaurada, amparada pelo verdadeiro Amor!

O que eu conto são boas novas de Vida e vida abundante. Meu coração não mais está preso ao meu querer. Meus sonhos não estão entrelaçados ao fracasso, mas seguem triunfantes à vitória!

Há, ao meu redor, um braço amigo - muitos, até, eu diria. Gente que caminha comigo, que sorri comigo, que chora comigo, que ora comigo.

Saiba, enfim, passado, que suas letras são mortas e suas garras não mais me alcançam: meu coração está protegido pelo escudo da salvação!

Com um gesto simples, destruo aqui o que restou da memória da solidão: rasgo a carta em mil pedaços e deixo que o vento se encarregue de levar pra longe o mal do escarnecimento. Daqui pra frente, não mais passado. Os dias de hoje são novos e bons. E no Senhor do Tempo resguardo meu futuro.