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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tagging myself

Estou precisando escrever. Pra ver se eu descubro o que ainda está encoberto dentro de mim. Precisando escrever sobre os dias e seus encantos; seus enganos e dissabores; seus planos e decepções. Precisando escrever sobre mim, meus achismos e sensações, pra ver se descubro onde foi que, obtuso, eu me escondi de mim.

Num momento em que a vida parece calma, com o exterior se movendo lentamente - e estranhamente - fora de seu padrão, é nesses dias que o desafogo me deixa pensar em mim. E me reencontrar nunca é fácil e simples. Tem dores deixadas pra trás, vontades insuperáveis, perguntas demais sem resposta.

Não é aqui, contudo, que minha auto-análise (mentém-se o hífen nesse caso???) virá. Meu descrever não é matéria pública; não é carta aberta; não é anúncio em neon. É assunto pra quatro paredes, um lápis, um caderno, uma xícara de chá, lágrimas guardadas nos cantos dos olhos e um escritor. 

Um escritor e um autor. Eu e Deus. 

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Estigma

Pára tudo, pega o dicionário. "Estigma". Procura aí. Só encontrei um dicionário que, na contra-capa, está escrito "Lenir Borges Camimura, 6˚ vesp, Compacto Guará". Não pode ser muito bom um dicionário cuja última atualização foi nos anos 90. Mas vamos lá. "Estigma". 1. Cicatriz, sinal; 2. Ferrete; 3. bot. Porção terminal do gineceu, que recolhe o pólen e sobre a qual ele germina (Eu sabia que este dicionário não podia ser bom).

Hum, vamos ver aqui...."estigmatizar". 1. marcar com estigma (dãaa); 2. censurar, condenar. Melhorou um pouco. Mas, enfim. Estigma é estar marcado e, depois, ser censurado por isso. E como as pessoas gostam de se lembrar de um mal feito. E como elas adoram condenar quem deles se esquecem.

Sociedade estigmatizada pelo preconceito da falta do perdão: nem para os outros, nem para si mesmo. Uma decisão errada será apontada, para sempre, como "típico de você". Meu (e o seu) passado me condena, já diz uma comunidade do orkut. 

Tem como se livrar de um ferrete? (fui procurar o significado desta também. No meu velho dicionário escolar diz que além de ser aquele ferro que se usa para marcar gado e cavalo, também se trata de um sinal de ignomínia, que, por sua vez, significa uma grande desonra, infâmia)

Fomos marcados pela desonra de sermos quem somos. A infâmia de não agir corretamente. E, ao que indicam os dedos apontados contra nós, em riste, como bichos fomos ferrados, marcados para sempre. Não podemos mudar.

E não há sangue e nem lágrimas que limpem do currículo o estigma de ser EU (e você).

P.S.: é possível perceber um toque de ironia nisso???

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Tks!

Ouvi, uma vez, que não pode haver uma crítica positiva, isto é, se é uma crítica, é contra algum erro que cometemos. Muitas pessoas não sabem como lidar com críticas, ainda que elas sejam feitas com a melhor das intenções. Até aí, eu consigo entender. Tem todo um lance envolvendo o ego, a auto-estima e bla,bla,bla. Mas, o que me dizem dos elogios? O que acontece às pessoas que não conseguem receber palavras de aprovação?

Algumas pessoas têm uma mania que a mim irrita. Depois de reunir todas as nossas forças e palavras para este momento, elogiamos um conhecido (a), para dizer que a roupa lhe cai bem, que o sapato é lindo, que a maquiagem está perfeita. Mas em troca, o que ganhamos? A frase dos aficcionados por serem mal-tratados: "Está às ordens/disposição".

Não estou pedindo o objeto do elogio emprestado. Estou apenas parabenizando o intelocutor por sua aparência. Por que oferecer? Por que destratar o artigo dizendo "nossa, mas isso é tão velho!"? A dificuldade das pessoas em aceitar elogios pode também se tratar de orgulho. Ou de timidez. Mas, qualquer que seja a desculpa, por favor, não ofereçam sua peça de roupa. Não estamos montando um brechó!

Paro aqui esta reflexão, que é mais um desabafo, para lembrar que passa de 1h30 da manhã e eu ainda estou pilhada, sem conseguir dormir.

De qualquer forma, voltando o assunto, não vamos deixar que mesmo a cobiça mais rasgada destrua nossa postura gentil. Um sorriso é o suficiente para agradecer. Acredite: se a resposta, ofertando o objeto elogioso, for dada a um mero conhecido, ele ficará sem graça e nunca mais vai elogiar você; e se for dirigida a um amigo, oras, se ele quiser emprestado, ele vai ter abertura para te pedir, sem precisar usar da desculpa de um elogio para tanto.

Se seu orgulho - ou sensação de rebaixamento - é tão monstruoso que te impede de realmente ser grato pelo elogio, procure um psicólogo. Mas eu ainda fico com o velho e bem sucedido "muito obrigado".

Boa noite.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Em uma noite fria

Quantos nomes eu ouvi naquela noite?
Por quanto tempo?
Por horas a fio, isso eu sei.
Com direito a poucos comentários, foram desfilando diante de mim, as donzelas impertigadas que, de tal forma, marcaram o coração de um certo Sr. X (Y? Z? W? N?!!!), que tornou-se impossível não trazer à vida as imagens que me eram contadas.
De Isabela, para Andrea (não, essa não marcou a história. Fez apenas uma ponta na produção), para Lygia, para Adrielle (será que tem dois "LL"?), para Fabiana, para Cássia, para Luzia, para...esqueci alguém? Se esqueci é porque o papel foi mero coadjuvante de segunda classe.
O que me atormenta, é pensar se, agora, o MEU nome não será também, apenas parte de uma lista. Com uma história que será contada junto a de tantas outras, com detalhes ainda tão bem lembrados, numa noite fria de sábado.
Há recompensa?
Escrever uma parte do livro do Sr. X é suficiente?
O que havia eu de querer? Ser possuidora do título da edição? Não...ainda não. O autor seria digno de me prender a tal ponto? Seria, de fato, uma prisão?
E onde ele se encaixa no meu desmonte de lembranças? Os meus traumas não são similares? As minhas queixas não corroboram para que nos aproximemos? É ele o título da minha obra? Ou mero espectador das tramas que eu mesma invento?
Vou precisar de mais uma noite. De mais um suéter. De mais um tanto de horas para que as nossas histórias deixem de ser apenas sobre o passado.