quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Livro de cabeceira

Se minha vida fosse parar nas págins de um livro, que enredo ela tomaria? Seria descrita com a infâmia da realidade ou seria suavizada com as palavras poéticas e as construções eufêmicas da literatura?
Se eu fosse contada como uma heroína de romance, que lástimas rodeariam meu personagem ambientado num cenário sócio-cultural do século 21? O meu enredo iria se diferir em muito das atuais historinhas "água-com-açúcar" que preenchem as estantes das livrarias? Ou seria eu mais uma jornalista pseudo-feminista, mas que ainda sonha com um príncipe encatado montado num cavalo branco, como todas as demais que encontraram-se nada mais nada menos do que com os sapos da lagoa e que acabaram por perdê-los para chapeuzinhos vermelhos travestidas sob pele de lobo (conseguiram acompanhar o raciocínio)?
Seria uma aventura no meio da selva urbana ou a derrocada de uma viagem para fugir do cotidiano?
Em quantas páginas poderiam caber todos os pensamentos charmosos que eu, a mocinha, desfilaria frente aos meus leitores? Seriam minhas filosofias transformadas em máximas e adotadas como ditos populares? Que influência minhas aventuras teriam na vida dos que as acompanhassem?
Se minha história se tornasse palavras ao invés de imagens, se dependesse somente da imaginação do público para existir, se a descrição causasse sensações diferentes, ela chegaria a um best-seller? Causaria o frisson da massa à procura do próximo exemplar? Se tornaria um filme?
Se a vida adentrasse à fantasia e ficasse registrada pela eternidade com as matizes que a inspiração me permitisse imprimi-la, seria você meu leitor?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cracking a book


Não teve jeito. Não resisti e entrei na livraria. Adoro o cheiro de livros - novos e velhos, apesar dos últimos me fazerem espirrar. Me vi rodeada por novos e velhos autores. Alguns que eu admiro por leitura; outros, por história sobre sua leitura. Mas livros, conhecimento, informação, estilos, trejeitos, estilos, capas, cores, formas e tamanhos, comunicação.

Andei pelos corredores, olhando cada prateleira e título. Encontrei os internacionais, em francês, espanhol e português. Sorri quando me deparei com livros conhecidos e desejados, John Grisham, Dante Alighieri, Jane Austen, Charlotte Brontë....tanta história, tantas vidas que influenciaram gerações e até hoje ainda são reconhecidos. O que eles viveram teve reflexo direto em seus estilos e narrativas. Os personagens, as sagas, os sonhos, as respostas.

Jane Austen, em especial, tem sido minha obsessão há algum tempo. Achei um blog com um texto sobre homens que lêem Jane Austen - seria bom de mais para ser verdade? Não. Era verdade. Não apenas leram, como comentaram. A conclusão? "Se quer entender as mulheres, leia Austen". Brilhante conclusão, não? Homens normalmente não são fãs da literatura, mas ser fã de Jane Austen é um sonho de consumo que eu ainda não consegui encontrar! hahaha

De qualquer forma, senti que está na hora de provocar algumas mudanças em favor da minha paixão, que são os livros. Quero trabalhar com eles e no meio deles. Quero entendê-los e o seu processo. Quero voltar a escrever coisas que não sejam apenas informativas e jornalísticas. Pensei em todas as minhas heroínas e todas, sem exceção, são amantes dos livros. Bela (a da Fera), ganha uma biblioteca de presente; Elizabeth Bennet lê enquanto caminha; Kathleen Kelly é dona de uma livraria...se elas podem, eu também posso.

Hora de mudar, de virar a página, de reescrever essa parte da história. Uma nova faculdade? uma pós? Um curso de verão? Não sei. Mas a mudança está para vir e será revestida de processo criativo, de "estorias" e de conquistas sobre dragões e príncipes encantados. Quem sabe, este será um final feliz!

(Indico os blogs Jane Austen em Português - http://www.janeausten.com.br/; e The Jane Auten's World - http://janeaustensworld.wordpress.com/)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Horizonte

Todo dia 31 de dezembro é a mesma coisa: hora de fazer a lista do que fizemos nos últimos 364 dias e planejar e sonhar com o que queremos para o novo calendário. Já tentei, mas não me lembro do quê eu tinha postado na minha lista pessoal de desejos de ano novo.

Os dias estão passando tão rápido, as estações estão mudando com tanta pressa! É gente que entra e sai da sua vida com uma facilidade e os poucos que ficam para ajudar a montar sua história também estão andando na velocidade da própria vida.

Me peguei hoje rodeada de afazeres, mas sem ver sentido para tal. Cheia de assuntos e pautas e reclames e histórias, mas sem razão para analisá-los.

O que eu almejo conseguir este ano? A única resposta que me vem é "sobreviver". Não tenho outras declarações, paixões ou ânsias. Só sobreviver. Profissionalmente, espiritualmente, fisicamente.

Os arremates, os detalhes, os "a mais", serão misericórdia, bônus e suado reconhecimento. Não aspiro a grandeza. Neste ano só me resta sobreviver e esta façanha, por si só, me resultará em um futuro de possibilidades. Depois que a página virar, no talvez do amanhã, eu consiga respirar e desejar ser mais. Reter mais.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Resgate

Acordo com o som do despertador martelando no mais profundo do meu sono. "Péin!Péin!Péin!", ele apita fustigante. Isso quer dizer que são 6am e eu deveria levantar. O dia vai ser longo e cheio de problemas. Viro a cabeça, tateando o celular. Abro um olho, tentando apertar o botão que faz o despertador voltar a chamar em 10 minutos.
6h10.
6h20.
6h30.
6h40. Pronto, não dá mais pra adiar. O jeito é desligar, finalmente, o alarme e levantar da cama. Sento, espreguiço e me encolho do frio. Como mágica, o switch liga no meu cérebro e começo a me movimentar: escolhe roupa, toma banho, escova os dentes, lava o rosto, creme no cabelo, na cara, no corpo. Perfume, desodorante. Brinco de prata, anel no dedo anelar, maquiagem - espeto o olho com o rímel -, veste roupa...a blusa não ficou boa, troca de blusa. Casaco, cachecol, meia e bota. Celulares dentro da bolsa e voilá! Estou pronta pra partir. Já na porta, me volto e pego o livro em cima da cama. Não dá pra enfrentar a lata de sardinha do metrô sem algo para distrair.
Desço as escadas. Toc, toc, toc. Subo de novo: esqueci os óculos. Confere se o cartão do metrô está na carteira. Está. Esquento o chá: mate que é pra pôr um pouco de cafeína no organismo. Droga, 7h40, demorei demais na maquiagem.
Pego a chave em cima da mesa, entro no carro, ligo o aquecedor. A batida soul no som anima as primeiras horas do dia. Canto junto. "E todo mundo diga Sou - Sou! e todo mundo diga Dou - Dou! E todo mundo diga Vou -Vou! Pelo Meu poder"....melhor ouvir as notícias, até chegar ao metrô. Propaganda, propaganda, propaganda. Pra uma rádio que "só toca notícia", essa tem propaganda demais!
Não há mais tempo. Estaciono na terra, corro pra estação, lá vem o trem! Desço as escadas correndo, a porta se abre, vomita as pessoas. Nem assim sobra espaço pra pôr o pé. Um "com licença" e empurro a sra parada na porta. Foi mal, mas preciso pegar este trem. O espaço pra abrir o livro está apertado, mas não quero prestar atenção nas poucas conversas alheias.
Uma luta entre anjos e demônios prende minha atenção até que chego ao meu destino final. A porta se abre e vomita mais um tanto de pessoas. Subo as escadas lendo, atravesso a estação lendo, subo novo lance de escadas e alcanço o Setor Comercial Sul. Lendo. Agora não dá mais e o trânsito me exige atenção. Fecho a página e acelero o passo. Tanto esforço pra chegar mais cedo e o máximo que consigo é sentar em minha cadeira às 8h20.
Faço boletim, clipping, termino o capítulo de um livro que fiquei responsável por escrever. Saio 40 minutos para pagar contas e engolir um macarrão. Pelo menos, a cia de uma amiga querida alivia o estresse. Volto, sento, escrevo cinco textos. Reunião com o chefe, despacho, corrijo, anoto. Volto pro computador pra cumprir as pendências. Conversa adorável com um querido de internet. O chefe entra na sala, bonachão, fanfarrão e chama para criar um novo relatório.
20h e ainda estamos trabalhando os textos, corrigindo o site, postergando a vida. Ligo pra mamãe: "vou me atrasar. Busca o carro no metrô pra mim? Vou de carona".
20h40 vou ao aniversário de uma amiga. Os amigos estão lá desde às 19h30. Me desculpo, me ajeito, brinco, rio, peço pizza, dou beijinho no amiguinho do lado. Meu carona chega. Pago a conta, cochilo enquanto espero, me despeço e entro no carro. Pelo menos a lata de sardinha do metrô não é meu meio de transporte nesta noite.
Chegamos ao portão do condomínio. Agradeço a carona, desço, toco o interfone, o portão abre e, de cima de um salto de 5 cms, caminho até em casa. São 23h30. Assisto ao final do filme com a mamãe, fugindo do frio. Cochilo. Subo pro quarto, escovo os dentes, arrumo o despertador, pego o livro e deito com o abajour ligado. Mais lutas entre anjos e demônios. O sono chega, apago a luz, derrubo o livro e durmo, sem sonho.
Acordo com o som do despertador martelando no mais profundo do meu sono. "Péin!Péin!Péin!", ele apita fustigante. Isso quer dizer que são 6am e eu deveria levantar.....


(acompanhe o video: Banda Resgate - 5:50 http://www.youtube.com/watch?v=dF9Ilc8-ZB4)

"Abro os olhos sob o mesmo teto todo dia
Tudo outra vez
Acordo, um tapa no relógio a mente tá vazia
São dez pras seis
Hoje a morte do meu ego tá fazendo aniversário
Será que eu vou chegar
Chegar ao fim de mais um calendário?
Eu não sei
Eu não sei
Eu não sei
É tudo sempre igual
Disseram que o Teu amor é novo a cada dia
Eu pensei
Quero ouvir a Tua voz falar o que eu queria
São dez pra seis
Se é pra Te seguir e então matar aquela velha sede
Se é pra Te servir e nunca mais cair na mesma rede
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Se é pra Te seguir e então matar aquela velha sede
Se é pra Te servir e nunca mais cair na mesma rede
Eu vou
Eu vou
Eu vou
Te seguir"
(Banda Resgate)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Senzala

A vida não é como um filme. O final feliz pode ser bem diferente do enredo imaginado. O dia hoje foi uma comprovação disso. Internamente, duelei por horas comigo mesma.

A descoberta do mau feito foi um lampejo de luz. Vi o que não queria enxergar. E por anos. Briguei até que as lágrimas romperam. Estou moída, quebrada, como se tivesse tomado uma surra, como se tivesse terminado namoro, como se tivesse descoberto uma traição. 

O pesar é tamanho! E não há a quem culpar a não ser a mim mesma. Virei o switch, mudei para 110V. De pilha alcalina, passei a bateria viciada. E não sei o que fazer. O socorro veio do lugar mais improvável (os prováveis estavam por demais ocupados com seus próprios interesses e mágoas).

Palavras sábias de quem se esperava imaturidade. Compaixão de quem se esperava desprezo. Atenção de quem se esperava descaso. Apoio de quem não se esperava nada.

A auto-reflexão levou a descobertas amargas. Mas o amargor foi adocicado pela presença do inesperado.

Um monte de blablabla que não vai trazer nenhuma solução.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Galhos Secos

Acho interessante a descrição do blog Em Jornada (http://emjornada.blogspot.com), de minha sócia, amiga e também jornalista Sarah Barros. Ela diz: "Diário das alegrias e tristezas no caminho que leva ao Deus Vivo e Verdadeiro". Nos últimos dias...não, meses...talvez anos, eu me descobri como expectadora do que eu chamava de "vida cristã". Por muito tempo as atividades haviam consumido boa parte de minha atuação "na obra de Deus", mas minha intimidade com Ele não passava de um riacho raso e quase seco.

Então, quando toda a confusão se instalou e quase me afasto por completo da igreja e de tudo o que eu acreditava ser o referencial de Deus para a sociedade, me vi cada vez mais distante do que eu acreditava ser o verdadeiro cristianismo. 

Ser salva, para mim, era ir à igreja, fazer algumas obras sociais e me desgastar, o quanto pudesse, para "trabalhar na igreja", para atender às demandas eclesiásticas, para cumprir meu papel de cristã.

Com perplexidade, resolvi olhar para mim e tentar encontrar aquela menina que se dedicou tanto a Deus e que se sentia próxima dEle, de qualquer forma. Não encontrei. Ao contrário, vi alguém que desconhece a Deus, que tem duas almas (o famigerado ânimo dobre de que fala a Bíblia) tentando buscar uma santidade hipócrita que não existe sequer para quem olha de fora.

Eu vi os meus pés e mão trabalhando sozinhos. Apoiados em suas próprias forças. E me descobri independente de Deus. Nos meus dias, a Bíblia não passava de um livro de cabeceira; a oração era um pedido de socorro que era para ser utilizado em momentos de desespero; e Deus era o meu faz-tudo porque, afinal, Ele é fiel, apesar de eu não ser.

Nessa trajetória, o mais difícil é reconhecer que se perdeu há muito no caminho e sequer sabe para que direção ir. O mais difícil é tentar manter a aparência que as pessoas pensam que você tem e equilibrar a máscara, até que o seu espírito, comprimido entre suas duas almas, chore baixinho, mas te fazendo escutar.

Nesta Jornada, como escreve minha amiga Sarah, é "custoso" reconhecer que você não é nada. Tantos aplausos, durante toda a vida, te fazem crer que você é suficientemente grande para resistir sozinho. Mas não. Quando deixamos a máscara cair ao chão e se partir e colocamos firmemente em nosso coração o desejo de conhecer a Deus pelo que Ele é e não pelo que Ele pode dar, só nos restam as lágrimas de arrependimento, remorso e dor. 

Analisando meu vazio, apesar dos meus 28 anos de cristã, descobri que o que Deus pode dar Ele o faz porque não deixa de nos abençoar mesmo se estamos longe. Mas Ele está ali, esperando, pacientemente, até que retomemos nosso caminho de volta para Ele. Porque, eu descobri, posso ter tudo o que sonhei, mas nada tem sentido se a presença de Deus não estiver comigo.

No caminho que leva ao Deus Vivo e Verdadeiro, estou descobrindo minha nova metamorfose. Uma transformação que achei que jamais precisaria passar: a de velho homem para a nova criatura. Estou aqui, Em Jornada, dia a dia retomando os passos que vão me levar ao caminho para a presença de Deus. Porque o restante Ele já deu e agora me espera pra buscar o que realmente importa: Ele.

Casting Crowns
The Altar And The Door lyrics
Songwriters: Hall, Mark

Careless, I am reckless
I’m a wrong-way-travelin’-slowly-unraveling shell of a man
Burnt out, I’m so numb now
That the fire’s just an ember way down in the corner of my cold, cold heart

Lord, this time I’ll make it right, here at the altar I lay my life
Your kingdom come but my will was done, my heart is broken as I...

Cry, like so many times before
But my eyes are dry before I leave the floor, oh Lord
I try but this time, Jesus, how can I be sure I will not lose my follow through
Between the altar and the door

Here at the altar, oh my world so black and white
How could I ever falter
What You’ve shown me to be right

I’m trying so hard to stop trying so hard
Just let You be who You are
Lord, who You are in me
Jesus, I’m trying so hard to stop trying so hard
Just let You be who You are
Lord, who You are in me

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fade Slow

Tenho lido tanta coisa, ultimamente. Visto tanta coisa; ido a tantos lugares, que não dá tempo de a cabeça processar tudo. Às vezes, estou andando pela rua e um parágrafo ou dois de coisas interessantes e formam solitários na minha mente, para depois se perder junto com o som da buzina que me acorda para a vida real.

São crianças, casais apaixonados, filmes, livros, motivos para isso ou aquilo que me fazem criar quando a criação não toma vida, não preenche o papel ou as linhas em branco da tela do computador.

Meu cérebro trabalha mais rápido do que minhas mãos, mas a memória não acompanha seu próprio ritmo. E é por isso que aqui estão, textos passados, antigos, sem muita profundidade, sem muita análise. É por isso que aqui reúno o melhor da inspiração momentânea, frases soltas e de um colorido desbotante. 

E assim, defendo, meu melhor texto ficou perdido para sempre no abismo profundo do querer-ser, mas que não passou de um sonho.