segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"Rompe a aurora"....

Depois de um período de vazio, de quase morte, volto a este espaço para dizer que ousei olhar para trás. E não, não me tornei estátua de sal, mas percebi que existiram tempos de deserto, de areia seca e fofa, quente sob os pés, de falta de esperança e de futuro. Houve tempo de areia movediça, encharcada, que me sugou quase até ao ponto de me sufocar. Houve tempo de pedregulhos, britas e sequidão; de silêncio e vazio inóspitos, de dor e de lamentos insuportáveis. Mas olhei para o passado e vi que o caminho que se construiu me levou para frente.

Não há como dizer que o pasto está completamente verde, que a brisa que sopra é completamente fresca e que a sombra é completamente um refrigério. Mas o mal passou. os dias de escuridão e lágrimas, passou. Não como um milagre. Mas como batalha erguida, traçada e vencida.

O mérito é meu? Em parte, sim. Da parte em que dependeu da minha escolha continuar ou desistir. Da força, não. O mérito é de Deus que me deu fôlego, enviou amigos, abriu portas inesperadas, me encheu de criatividade, palavras que faltavam, textos que se completaram, multiplicação dos ganhos que bancou contas, viagens, encontros. A Deus, sim, que me deu coragem para mudar a situação, me erguer contra o abuso e o cansaço e me abençoou em tudo que me dispus a fazer.

Um ano mais se passou. E olhando para trás eu percebo que a estrada ainda é longa, mas possível de ser trilhada. Novos projetos, novos planos, novas situações, novos - e velhos - amigos, novas vontades. O que é meu, no entanto, não se firma sem o selo de garantia do meu criador, do meu amigo, do meu guia, do meu Pai. "Let me open my heart to You, Jesus. It's what I long to do". 

Se me falta uma dedicação, aqui está: agradeço a Deus por todo o ano que passou e por tudo o que vivi. Por cada sorriso, desafio, acordo, descoberta, entrevista, boletim, contato, telefonema, abraços, culto, encontro, reunião, resultado. Obrigada. E, para manter o bom caminho, consagro e dedico o novo calendário ao Senhor. Que os planos, projetos, sonhos, obrigações, responsabilidades, diversões sejam apresentados e dirigidos pelo Senhor. May Your will be done. E os próximos dias sejam de paz. E paz verdadeira.

Feliz ano novo! ;0)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gratitude pela Solicitude

Transcrevo para vocês o texto vencedor do Troféu "Joinha" no acampamento da MICB 2008, de minha autoria, por acaso, com o tema "amizade". Divirtam-se!

"Gratitude pela Solicitude 
(Um relato pessoal)

Em minhas memórias , vejo os dias tristes e confusos da separação. O dizer "adeus" à família que me acolheu por 10 anos foi seguido pela incerteza de um novo lar. Deixei para trás Cláudias, Luds, Luízes, dança, canto e paixão. E, errante, passei à solidão de um quarto fechado.

Um convite, numa tarde quente pós-plantão, levou-me a uma nova casa onde, de visita, passei a conhecida, a amiga e a irmã. 

Recomeçar não foi fácil, mas alguns abraços provaram ser possível encontrar nova confiança, novo grupo, novo amor, novo tudo.

Me enchi de Márcias e Márcias, Andréias, Juniors, Ismaéis, Stephanies, Talitas, Brunos, Tchainas, Rafaéis, Larissas, novas Silvias, Cláudias, Carlas, Fábios, Melissas, Priscilas, Isabelles, Leonardos, Alices, Fabrícios, Ricardos, Déboras, Jacks, Fernandas, Walneys, Islaines, Alessandros, Zecas, Aras e Arienes e outros que a cada dia vão sendo agregados.

Ombro a ombro, e em outras línguas, um rodeio de gente que caminha junto e que reconhece seus próprios atos.

Novas portas e cantos e danças e sonhos. Uma missionária que encontrou um quarto aberto com vida.

E hoje, olhando para o passado, sabemos que erros existiram na caminhada que me trouxe até aqui. Mas são perdoados pelo amor encontrado e pela percepção do cuidado que o Pai - de todas essas famílias - dedicou a mim.

Olhando para a irmandade que hoje me cerca, suspiro de alegria e alívio. E, com coração grato pela bondade e fidelidade, agradeço a Deus que me deu vocês como amigos".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dívida de tempo

Sentada há duas horas, tentando produzir uma informação, estou vendo o dia amanhecer. A noite está pela metade e os meus dedos me enganam ao digitar as palavras que não completam minhas tarefas.

Esta semana a procrastinação se vingou de mim: paguei por cada segundo desperdiçado. Cansaço, cansaço, cansaço. Tudo o que não foi feito em um mês foi, forçadamente, realizado em três dias. 

Bem feito pra mim e pra você. Pra mim, porque não me esforcei em me concentrar. Pra você, porque ainda não aprendeu com meus erros e está agora desperdiçando seu tempo lendo algo que não muda sua vida, sua opinião ou sua disposição, apenas com a desculpa de "descansar um pouco a mente". Encerro: não vale a pena. A preguiça é uma agiota ferrenha, que sempre encontra seus devedores.

Amanhã

Já pensou como seria a vida se pudéssemos viver sem pensar no amanhã? Como seria jogar os planos pela janela, usar o dinheiro só com diversão, trabalhar apenas se desse vontade, sorrir um sorriso despreocupado, não ser pressionado pela agenda do dia seguinte?

Se não houvesse amanhã, como diz a música, amaríamos mais? Seria diferente nossa maneira de agir? Perseguiríamos a felicidade do agora? Corrigiríamos erros, julgamentos, atitudes? Consertaríamos relações?

Como seria dormir sabendo que não haveria outro dia depois do sonho? Que prioridades elegeríamos? O que faríamos com o que nos sobra? 

Se amanhã, abríssemos os olhos e só um quarto vazio nos cercasse, que lembranças carregaríamos? Que amigos recordaríamos? Qual o primeiro nome que chamaríamos? Quem desejaríamos rever mais uma vez?

Pensando que hoje é o único dos seus dias, qual seria a sua preocupação? Com o quê se importaria? Que música escolheria como trilha sonora das suas 24 horas? Em quê, diga-me, em quê gastaria seu tempo???

O som da noite

Quando nada mais há para ser acrescentado, o silêncio deve ser solenemente respeitado.
Não se pode permitir, sequer, o ruído dos pensamentos.
É preciso negar o sussurro tentador da voz que não é sua.
Manter o foco e guardar o silêncio como um voto.
Preencher as horas com o segredo de você.
E deixar que as lágrimas caiam sem a pressão das palavras e o sentimentalismo dos sons.
Nessa hora, quando tudo é vazio, levantar os olhos aos céus,
agradecer por mais um dia de produção e de respirar,
virar para o lado e dormir.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sexta

Sob um céu avermelhado, nossas risadas inundaram o ar. Era som de festa, de alegria, de momento bom. Era som de comemoração....da minha vida!

Os amigos que se dispuseram a vir, à meia-noite para a missão de me fazer contente, divertiram-se numa piscina recheada de balões, de água morna e muito bolo de chocolate.

A sexta-feira começou assim: com gosto de novidade, de diversão e de previsão que o próximo ano será de mais VIDA!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Birthday Wish

De todas as coisas que as pessoas me cobram quando digo que estou fazendo 28 anos, um casamento é a maior delas. Mas que me perdoem os casamenteiros e alcoviteiros de plantão, não estou preocupada em apressar essa decisão.
Estou visitando uns tio no interior do Tocantins. Os dois já estão velhinhos - ela com 70 e ele 74. Quando se casaram, ela tinha 15 e ele 19 anos. Tiveram cinco filhos, perderam o mais velho no auge da mocidade e isso provocou neles a maior das dores de toda a vida.
A vida inteira eles moraram numa fazenda, cuidando de gado, plantando cana e produzindo as melhores rapaduras que me lembro de ter comido. Eles iam dormir às 19h, sem energia elétrica, coma luz do lampião e sob as estrelas e acordavam às 4h do dia seguinte para recomeçar tudo outra vez.
Mas depois de tantos anos, minha tia ficou doente. Labirintite e inflamações no joelho não permitiam mais que ela levasse a vida pesada da fazenda. Por decisão dos filhos, eles se mudaram para a cidade há dois meses. E é nesta casa que, pela primeira vez os estou visitando.
E aqui, no calor sufocante do Tocantins, estou aprendendo que vale esperar por um amor que dura a vida inteira. Um amor que vence o tempo, as dificuldades, as dores e os quereres.
Ao olhar para meu tio, você percebe que ele está acometido de uma depressão leve por ter saído da fazenda. A aposentadoria, diz ele, chegou antes do que esperava. Mesmo assim, também é possível notar nos seus olhos a ternura ao olhar minha tia, que já emagreceu alguns quilos desde que deixou a fazenda, não tem mais crises de tontura e sente menos dores nas juntas.
Se ele gostaria de voltar à vida na roça? Com certeza. Mas a recuperação do grande amor de sua vida é mais importante neste momento. ele enche os olhos de lágrimas para falar dela e sorri com a constatação de que tudo está bem.
Não me importo de esperar mais algum tempo para me casar. Podem me chamar de idealista por querer alguém que vai abrir mão dos próprios desejos para me ver bem. Eu te digo: farei a mesma coisa. e este tempo de espera não é desperdiçado. Vejo a vida com outros olhos. E não me atormento: se aconteceu para os meus tios,  vai acontecer para quem souber escolher também.