quinta-feira, 22 de julho de 2010

Simples.


Para se ter felicidade não é preciso procurar em muitas coisas ou lugares, brada um anúncio na TV. Só é preciso uma só. A palavra de ordem é: simplifique. Reúna todas as contas numa só, use só uma máquina para ler todos os cartões, tenha um controle remoto universal....simplifique a bagunça sobre a sua mesa, na sua casa, na sua vida.

Manter a vida simples, sem perder o conforto, o luxo e o status. Manter a vida simples e ponto.

O conceito do ter sobre o ser começa a se tornar obsoleto. Ou será que apenas reduziu-se as varáveis de complicações? "Continue tendo muito. Mas economize tempo, encontre tudo o que vc precisa em um só lugar"...

Mas a simplicidade pregada pelos vendedores não extingue a "necessidade" e menos ainda diminui o estresse. O "mal do século" não é mais a depressão - ela o foi no século 20 -, mas é a tensão, a ansiedade em níveis acima do normal, a pressão pelo ter, ser e fazer, todos ao mesmo tempo, em um único lugar: sobre seus ombros.

Como Atlas, o deus grego, temos por castigo carregar o mundo nas costas. Sem descanso, nos forçamos a nos preocupar, estressar e acrescentar, a cada dia, mais peso a nossa bagagem cotidiana.

Ainda aprendo, mas em Deus encontro a resposta para o dilema: "lancem sobre Ele toda Sua ansiedade, por Ele tem cuidado de vocês" I Pedro 5:7. Parece subjetivo e transcendente, mas é real. Confiar em Deus é a resposta para nosso mal.
Ele vai suprir nossas necessidades. Ele vai resolver os problemas. É jogar sobre ele o fardo. É não se preocupar. Ele tem cuidado de nós. E não há porque temer: Ele consegue lidar com todos os detalhes de todas as vidas.
É pensar na suficiência de Deus, mesmo quando fazemos dela insuficiência.
É simplificar a vida. Confiar e ponto.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Liberdade


"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."


Então começou a Copa do Mundo. Para todos os lados, vozes e vuvuzelas ecoam o mesmo som: buscamos a glória, o nosso nome escrito na história.

Estão todos em busca da mesma coisa, que é a vitória sobre o outro. De alguma forma pretendem comprovar sua superioridade, ainda que seja somente em torno de um jogo, uma competição, na qual um monte de homens corre atrás de uma bola.

E enquanto isso, ouço na televisão as repórteres comentando a abertura dos jogos e os primeiros minutos da primeira partida na África do Sul.

O comentário me emociona: uma moça sulafricana diz que ter a Copa em seu país é como se fosse um milagre: "Meu pai lutou para que fôssemos livres e hoje nós podemos viver este momento".

Engasgo.

Não sabemos o quanto custa sermos livres. Fazemos pouco caso do nosso privilégio de viver em um país que nos permite ir e vir, escolher nossos representantes políticos, dizer sim ou não, assistir este ou aquele programa de televisão, aceitar ou não uma proposta de emprego...Vivemos uma liberdade que se confunde com libertinagem, esquecendo que para ser livre é preciso ter responsabilidade.

E a África celebra hoje, acima de tudo, não apenas o espetáculo do futebol mundial, mas a oportunidade de mostrar ao mundo o que fizeram com esta tal liberdade.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Devaneio

Você apareceu em meus sonhos. Uma única vez. Numa penumbra realista e surreal, me olhou nos olhos e disse palavras que me assustaram ao ponto de me despertarem.
Não o vi mais, desde então, nem em minha mente, nem nos meus dias. No entanto, a proposta ecoou solene em meu consciente e sua vivacidade ainda me assusta: uma mudança de vida que tenho medo de que se torne real.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Queda livre

Postei os dois pés sobre o parapeito, tentando me equilibrar. Braços abertos, coração acelerado e olhos semi-cerrados. era mesmo necessário passar por este treinamento? Parecia que sim. Respirei fundo e olhei para baixo.

90 metros me separavam do chão. Ali, de cima do prédio, contemplei o horizonte. O céu estava acinzentado por causa do tempo seco que já dava seus sinais. Dali, tudo parecia tão pequeno. Os carros, as pessoas e a vida.

Uma brisa leve começou a soprar e senti meu corpo tremer com o toque suave do vento. O medo se apoderou de mim e travei todos os músculos.

De repente, minha própria voz ecoou em meus ouvidos, me fazendo arregalar os olhos. A lembrança de minha palavras, com tanta autoridade, com tanta propriedade me fizeram questionar até que ponto o meu incentivo e afirmação eram reais para mim mesma.

Um milagre viria ao meu socorro? Uma mão poderosa me sustentaria? Bastaria uma palavra dEle para que tudo se fizesse novo? Eu cria que sim. Mas vivia o "sim"? Olhei novamente para baixo. Respirei fundo novamente. Mexi os pés, me preparando melhor. Firmei os braços abertos. Com um pequeno sorriso confirmei minhas crenças: saltei no infinito desconhecido e livre do não-saber do futuro e deixei que Deus fosse minha corda e paraquedas, numa queda livre que correspondia não à expectativa alheia a meu respeito, mas à minha própria fé.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Wonderland

"- Since I got here, everyone tell me who I should be and what I should do...
- But you must do it. If you get away from the path...
- I'll do my path now".

A chave está sobre a mesa. Das várias portas, apenas uma se abriria ao encaixe perfeito da fechadura. Do lado de lá, as escolhas seriam consequência da primeira delas: não desistir de alcançar a chave e ter o tamanho exato para passar pela minúscula porta que levaria ao desconhecido mundo que, até então, era pintado de sonho.

Como Alice, me deparo com as portas em um longo corredor. Minhas chances estão estampadas não em uma abóbada fechada e enclausurada por uma uma única opção de saída, mas desfilam diante de mim como inúmeros invólucros fechados. O primeiro passo faz ranger o chão. E a temperatura oscilante faz a madeira tilintar.

Olho para os lados, para cima e ao redor de mim. Em meio a penumbra vejo meus passos inseguros caminhando dentro de sapatos brancos de verniz. Um ruído qualquer ecoa no salão. Tento conter minha ofegante respiração, que se encontra com seu maior medo: o desconhecido.

De repente, uma voz ressoa familiar... "Aproveitem, estúpidos, enquanto o futuro ainda é maior do que passado".

"- You have lost your muchless"...

É hora de escolher o caminho. Ao invés de deixar que me digam quem devo ser ou o que devo fazer, eu digo: desta vez, eu farei meu próprio caminho. A decisão de continuar, de abrir a porta de conhecer o irreconhecível ou de simplesmente sentar e chorar é minha e de mais ninguém. E o que me difere de Alice? Seja qual escolha fizer, no final, não estarei diante do perigo sozinha.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Amarrando as pontas da vida



Desde criança, minha mãe sempre nos ensinou a "amarrar as pontas" do nosso serviço. Isso significava que, ao terminar de lavar o banheiro, por exemplo, o sabão, balde, bucha e tudo o mais que tivéssemos usado na tarefa, deveriam voltar para o lugar que pertencia, isto é, a área de serviço. Todas as vezes que deixávamos os utensílios esparramados, lá vinha minha mãe gritando: "menino! Vem amarrar as pontas do seu serviço!"


Esses dias, essa expressão não sai da minha cabeça. Estou decidida a amarrar as pontas da vida. Tem trabalhos em suspenso, tem ideias não concluídas, tem relacionamentos embaçados, tem vontades não cumpridas. E está na hora de pôr as coisas no lugar.


Não só porque nunca se sabe quando a vida dará uma guinada de 180º, mas também para dar espaço para que novas oportunidades cheguem. Sem ter as barreiras do inacabado me cercando, posso ter a flexibilidade e a mobilidade do talvez e do pode ser. E eu gosto dessas cartas.

Estou amarrando as pontas da minha vida pra poder caminhar pra frente em passos mais largos. Encontrar respostas e decidir o que, afinal, quero fazer daqui pra frente. Saber qual é o próximo passo é sempre um mistério. Mas, se eu canto "o vento sopra, só ele sabe para aonde vai. Quero estar no vento e ser conduzido pela Sua vontade", não posso estar presa a detalhes de uma limpeza concluída, mas não reorganizada.


Estou sonhando com uma nova caderneta, com folhas limpas, páginas em branco, tela escovada, um recomeço. Estou sonhando com uma nova década que se aproxima, com as realizações prometidas, com os desafios que se descortinam e com as possibilidades de ser. E para isto, neste exato momento, estou amarrando as pontas da vida.

E se entre os baldes, escovas, sabões e buchas que detenho ao meu redor, você tem parte, te estendo a mão e convido a me ajudar a limpar meu ambiente que, na sequência, te ajudo a limpar o seu. E vamos abrir as portas de uma vida organizada a um futuro incerto, mas que será precioso.

terça-feira, 2 de março de 2010

No topo da montanha

Acelerado, o coração pulsou. Era mais um dia ensolarado, de um calor seco que nem mesmo a brisa mais cândida conseguiria aplacar. Ainda assim, as mãos suavam frias e nas pontas dos dedos ainda se sentir o vibrar emocionado das lágrimas recolhidas.

Num dia nublado, como em um céu paulista, a alma amanheceu dormente. Apática a qualquer sentimento ou situação. Deu de ombros aos sonhos difícies e longíquos e estagnou-se à ideia de que tanto fazia estar ali ou não.

Os olhos marejados se fecharam, amargurados, em um dia de chuva forte. Os relâmpagos brilhavam lá fora, sob o rugido dos trovões. Choravam o moribundo coração que não se reconhecia mais, envolto em apatia e frieza.

Como um calor sufocante, o sorriso apareceu. Nasceu assim, de uma ideia inesperada. De uma possibilidade desejada. De uma figura imaginada, mas que nunca apresentou o frescor da realidade estampada.
Nasceu assim, da vontade de liberdade e da conquista do almejado segredo: superar a sobrevivência e, em plenitude, viver novamente.