quarta-feira, 9 de março de 2011

Aos agentes da contracultura

Ouvi neste feriado uma máxima que eu mesma já postei aqui: as pessoas se solidarizam com a tristeza, mas a alegria atrai mais a inveja. Doentio e real, a reação generalizada é esta.

No entanto, não quero falar da inveja, do mal, do desejo malévolo de ser melhor do que o outro, de não medir esforços para mostrar seu ego e ainda sorrir como se fosse isto grande vitória. Não. Quero falar de quando nos deparamos com a exceção, com o contrário ao senso comum. Quero falar da amizade desimpedida e da alegria contagiante e sincera.

É tão "normal" encontrarmos as palavras amargas contra nós quando destilamos felicidade, que é até um susto quando em nosso caminho se postam pessoas que te abraçam, se regozijam e pulam junto com você por causa da sua vitória.


A essas pessoas eu chamo de agentes do bem, carregadores de bálsamo e de personagens da contracultura. É você saber que pode contar com eles. As lágrimas que têm nos olhos quando você conta a boa nova é de alegria, de emoção e de admiração. O abraço que te oferecem não é de tapinhas nas costas, mas é afetuoso, caloroso, demorado, acompanhado de gritos, sorrisos e excitação.

Eles não estão na margem de sua vida e aparecem de vez em quando para rir com você. Eles são constantes, intensos, amáveis com os novatos, pessoas reais que fazem a vida ser mais leve. Eles influenciam e logo, até mesmos nós, que antes éramos invejosos, agora temos um sentimento sincero para compartilhar também a alegria, mantendo a fé de que foi Deus quem abençoou.

Ter destes no seu convívio é poder se chamar de bem aventurado. E deter em sua vida uma lista nominal daqueles que podem ser chamados de amigos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O impostor que vive em mim


Tirando o tom poético, a ilusão da literatura, o que encontro é pura e simplesmente a verdade da minha vida. O medo de desagradar a platéia que me cerca me leva a manter vivo por muito tempo o impostor que vive em mim, conforme bem o descreveu Brennan Manning. E a partir daí, com o impostor reinando, pacifico o que deveria ser extirpado de mim e do meu contexto.

O impostor arranca das minhas mãos o compromisso perene e me faz andar como o bêbado da madrugada. Hoje atuo com seriedade austera, amanhã, me desleixo boemicamente, numa atitude apática e desrespeitosa com quem eu realmente sou e com o que me propus fazer.

A falta de equilíbrio em qualquer coisa que temos e fazemos na vida é pernicioso. Não há solução, futuro ou atuação que seja benéfica neste sentido. Ou agimos como fariseus, com dedos apontados para o mundo, condenando os que não seguem as "regras" de moral e bons costumes em que nos amarramos; ou largamos tudo à mingua, rindo sem sentido, de forma barulhenta do moralismo que nos deixamos ser levados. Em qualquer das duas situações, tornamo-nos escravos, presos a conceitos, a teorias e a fardos que nem mesmo nós podemos suportar.

Uma vida de equilíbrio, sem pender nem para a direita, nem para a esquerda é possível? Nem tanto ao mar, nem tanto à praia. Nem oito, nem oitenta. Nem bêbados, nem carolas. Mas racionalmente emocionais, emocionalmente racionais. Equilibrados, pé ante pé, com passadas firmes, definidas, decididas, humildes, conscientes e destemidas.

Equilíbrio é saber que não somos totalmente maus, e tampouco totalmente bons. É ter ciência de quem somos, quais são nossos talentos, virtudes e preciosidades; mas também não ignorar nossos defeitos, erros e lamúrias. É não se deixar ser levado pelo sentimento de vitimização constante, mas também não ser eternamente culpado.

Manter-se estável é tirar o controle do impostor e deixar que o verdadeiro "eu" ressurja da escuridão, e assuma o que é seu por direito: uma vida honesta, leve e, se possível, equilibrada.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Preparações de um novo destino

Os dias estão se aproximando mais rápido do que eu esperava. Logo, logo já será abril e eu estarei voando para terras distantes e desconhecidas. Eu já tenho o mapa, as indicações de transporte, restaurantes e passeios. Mas ainda não pensei nos estudos, que serão puxados, na casa que irá me receber e nem nas pessoas que vou conhecer.

Há uma certa melancolia nestes preparativos. É quase tolo pensar no que irá acontecer antes de chegar lá. Até aqui tenho pensado por muito tempo na segunda parte da viagem, no Velho Mundo, em sua gastronomia, sua utopia, sua inspiração. E tudo soa deliciosamente encantador. Mas o que fazer com a primeira parte?

Não conheço o Canadá. Nem mesmo uma pontinha. Sei que é bem frio. Não sei como são as pessoas e nem o inglês. Vou estudar a língua por um mês, em ritmo frenético, tirar certificado, reconhecimento e me aprimorar no idioma que escolhi como segunda língua. Meu Moleskine já está comprado há meses, com "Vancouver" estampado na capa e esperando, com suas páginas brancas, por minha caneta mágica, que vai descrever as sensações, as percepções e as observações. Serão feitas em português, aliás. Assim, me volto a minha terra, enquanto vivo no outro hemisfério.

Irei sozinha ao Canadá. Será meu mergulho em mim até que eu me divida com os amigos que penso que farei, com os lugares que visitarei e com a casa que me receberá. Estou desenhando meus passos até lá e antes que os dias passem mais rápido, ainda tenho detalhes para acertar desta aventura....

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Rascunhos de um novo ano

Em meio ao barulho, atendi a porta e já era o ano novo, soltando confetes e serpentinas, anunciando o futuro que batia à porta. Como quem se assusta com o inesperado, bati-lhe a porta na cara! O ano acabara depressa e nem vimos os dias passarem, mas ainda não estava pronta para um novo ano.

Aqui, pensando com meus botões, não sei o que esperar para estes novos dias. Não tenho objetivos certos que me guiem. Não há nada que eu esteja esperando que aconteça. Tenho viagens marcadas para abril, maio e junho. Para lugares desconhecidos e para situações nunca vividas.

Mas não sei exatamente o que estou buscando nesta aventura. Estava pensando que poderia ser um novo rumo na vida. Que seria uma possibilidade de mudança radical. Mas...não. Não é isso que quero para 2011.

Sim, espero mudanças, lugares marcantes, culturas diferentes, aprendizado, conhecimento, sensações....mas....com qual objetivo? O que farei de tudo isso? Como aproveitarei o que vou ganhar nestes meses?

Abri a porta e olhei, ressabiada pela fresta, o ano novo que ainda me aguarda do lado de fora. Ainda não sei como saudá-lo e como me preparar para recebê-lo. Não quero atropelar meu calendário, mas também sei que os dias não vão esperar que eu me decida e que, vagarosamente, tente encontrar sentido para o tudo que me espera.

É viver. Viver da melhor maneira. Traçar os planos possíveis e deixar que os sonhos cheguem em tempo oportuno, junto com a expectativa crescente que os novos dias sempre trazem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Alma livre

Abri uma das redes sociais e vi a foto de uma amiga, absolutamente sorridente, vestida num vestido de noiva. Me lembrei de quando conheci essa amiga. Amargurada, ranzinza, presa a um passado que não voltaria.

Sem conseguir se livrar de um ex-namorado, ela vivia presa à ideia de que, algum dia, ele poderia voltar e viver os sonhos que ela tinha.....ainda que sozinha. Infelizmente, por anos ela fixou seus passos naquele relacionamento frustrado e deixou que a angústia controlasse sua vida e sua personalidade.
Até que resolveu dar um basta - ou deram por ela. Seguiu em frente, jogou fora o que a prendia ao camarada. Viajou, tirou férias, reviu amigos, lugares, lembranças...e a decisão de se amar fez muito bem a ela.

A última vez que nos vimos ela já tinha mudado. Não tinha mais um sorriso amarelo e uma cara pálida. Mas era só alegria, cores e vida! Pouco depois ouvi dizer que estava namorando e, agora, a vejo casada.

Mais do que conquistar tudo o que sonhou, minha amiga conquistou o direito à liberdade de seu coração. Ao voltar para si mesma e abandonar os caprichos daquele relacionamento tóxico, ela quebrou suas amarras e se permitiu dar passos para frente, para o futuro. E hoje, estampado no seu rosto, eu vejo a felicidade! Que ela alcançou sozinha e que completou no dia que encontrou outra alma livre como a sua.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tip Toes

Estou andando na ponta dos pés. Não para não acordar o sossego, mas para tentar alcançar as nuvens. Os sonhos estão voltando gradativamente, junto com as expectativas e os sorrisos.

O futuro me parece mais incerto do que nunca, mas, o que esperar quando não se faz planos para o horizonte, mas, sim, para a próxima esquina?

Estou aconchegada na ideia de que a felicidade já me alcançou e que viver é uma tarefa deliciosa! A cada dia, um aperto de mão, um beijo e um abraço são a resposta que preciso para que o dia mais escuro se torne em luz da alvorada.

Estou andando na ponta dos pés, saltitante e livre, como em propaganda de perfume francês, com flores e vestidos esvoaçantes.

Estou na ponta dos pés para não perder o contato com a realidade, mas também sentir que basta levantar os braços para alçar vôo e ser levada pelas surpresas que o meu Deus preparou pra mim!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Habitação


Casa. Asilo inviolável, protegido e definido constitucionalmente. Olho para minha casa e não a reconheço. Aquelas janelas mudaram de cor com o tempo. A porta de entrada parece menor a cada noite em que preciso atravessá-la. Esses azulejos não estavam aqui na tarde em que me mudei.

Os trincados e rachaduras da parede não demonstram abandono. Pelo contrário, eles registram os anos de convivência, de uso, de entra e sai da família, dos amigos, da vida.

Encaro o jardim. Ele está mais verde este ano. A varanda parece mais aconcehgante. Até o novo passeio é mais convidativo. As portas estão escancaradas, prontas a receber as visitas, mas a casa está silenciosa.

Só há ao seu redor e em seu interior o doce sussurro do silêncio, da paz que veio para ficar. Do desenrolar dos dias e do calendário a casa está marcada. Aqui do portão, ela parece sorrir. Palco de tantas novidades, ela também se prepara para as mudanças.

É um móvel novo que acabou de chegar, é um habitante a menos em suas alcovas. E a casa permanece ali, pronta para as chuvas e para o sol. Abrigo inviolável, sem ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador....ela mesma me faz o convite. E nela eu me encontro como a principal visita.